Embrapa Brasília produz alimentos impressos em 3D de base vegetal.

Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos

© Valter Campanato/Agência Brasil

Uma inovação surpreendente no campo da alimentação plant-based emerge de Brasília: o Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia concluiu uma extensa pesquisa de 30 meses, resultando no desenvolvimento de amostras de alimentos impressos em 3D, que replicam com precisão filé de salmão, caviar e anéis de lula, todos originados de componentes vegetais.

Os protótipos, cuidadosamente elaborados com o auxílio de impressoras 3D de alimentos nas instalações da Embrapa, vão muito além de uma simples réplica visual. Eles foram concebidos para espelhar não apenas a aparência dos frutos do mar, mas também seu sabor e perfil nutricional, marcando um avanço significativo na tecnologia de alimentos.

A equipe de pesquisadores focou intensamente em replicar a complexidade nutricional dos produtos de origem animal. A bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora bolsista no LNANO, detalha a premissa central do projeto:

“Uma das coisas que buscamos foi avaliar o teor nutricional da carne animal em sua composição total. Atentos a três grupos principais – carboidratos, lipídeos e proteínas -, buscamos nos recursos vegetais ingredientes ou insumos que nos trazem a mesma quantidade em percentual de tecido animal”

Essa abordagem garante que os **substitutos vegetais** não apenas satisfaçam o paladar, mas também ofereçam um aporte nutricional equivalente, abrindo novas perspectivas para a **inovação alimentar**.

A Engenharia por Trás dos Alimentos Impressos

A criação desses alimentos à base vegetal é possível graças ao desenvolvimento de “tintas alimentícias” especiais. Estas são formuladas a partir de uma combinação estratégica de proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, além de nanoingredientes, corantes naturais e espessantes, responsáveis por conferir a viscosidade adequada. A pesquisadora Cinthia Bonatto salienta a familiaridade dos componentes:

“que, em sua maioria, são os mesmos que utilizamos na culinária na nossa residência.”

Uma parcela relevante dos insumos para a produção dessas tintas provém dos vastos Bancos Ativos de Germoplasma da própria Embrapa. Conhecidos informalmente como uma “arca de Noé” genética, esses repositórios mantêm uma coleção de 140 acervos que abrigam material genético de milhares de espécies de plantas, microorganismos e animais. Essa riqueza biológica permite a criação de alimentos inovadores com uma composição muito próxima à natural, conforme explica o pesquisador Luciano Paulino da Silva, coordenador de projetos de impressão de alimentos:

“o mais similar possível àquela encontrada nos animais”

A capacidade de manipular esses ingredientes confere aos cientistas uma vantagem crucial, conforme apontado pela biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz, também pesquisadora bolsista no LNANO:

“fazer o enriquecimento nutricional dos produtos impressos”

Essa funcionalidade posiciona a **impressão 3D de alimentos** como uma ferramenta promissora não apenas para a diversificação alimentar, mas também para desafios globais. A tecnologia pode, potencialmente, contribuir no combate à fome e à subnutrição, oferecer uma alternativa ética para evitar a pesca predatória e o sofrimento animal no abate, e expandir as opções para públicos com restrições ou escolhas alimentares específicas, como veganos e vegetarianos.

Futuro no Prato: Desafios e Potencial de Mercado

Apesar de ainda estarem em fase experimental, os alimentos impressos em 3D desenvolvidos no LNANO já passaram por etapas de avaliação. Amostras foram degustadas por voluntários, seguindo rigorosos protocolos de comissão de ética. Luciano Paulino da Silva descreve o estágio atual como um momento de visibilidade, mas ressalta a ausência de uma previsão para o lançamento comercial:

“na vitrine da Embrapa”

O financiamento para esta pesquisa pioneira da **Embrapa Nanobiotecnologia** foi provido pelo Good Food Institute (GFI), uma entidade global sem fins lucrativos que apoia o desenvolvimento de **alimentos à base de plantas**, produtos de fermentação microbiana e carne cultivada em laboratório. A viabilidade comercial desses **alimentos futuristas** dependerá de estratégias de negócio a serem definidas, que podem variar desde a produção em impressoras domésticas e uso em restaurantes especializados até a fabricação em escala industrial.

No cenário global, a comercialização de alimentos impressos já é uma realidade em países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura, indicando um mercado em ascensão. No Brasil, outras instituições também avançam na área; pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, colaboram com a Escola de Medicina da Universidade Harvard e a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura em projetos de impressão de alimentos, consolidando o país como um polo de inovação neste segmento.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/embrapa-produz-em-laboratorio-salmao-caviar-e-aneis-de-lula-veganos

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