Obesidade supera hipertensão e se torna maior fator de risco no Brasil.

Obesidade se torna principal fator de risco à saúde no Brasil

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Uma profunda reconfiguração nos desafios de saúde pública do Brasil foi revelada por um estudo internacional abrangente: a obesidade ascendeu à posição de principal fator de risco para a saúde da população, ultrapassando a hipertensão, que por décadas ocupou o topo dessa preocupante lista. A constatação, que coloca a glicemia elevada como a terceira maior preocupação, destaca uma transformação significativa no perfil epidemiológico do país.

A Ascensão da Obesidade: Um Retrato da Saúde Brasileira

O alarmante diagnóstico integra a análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, uma iniciativa monumental que mobiliza milhares de pesquisadores em mais de 200 nações. A porção brasileira desse vasto levantamento foi recentemente publicada na edição de maio da prestigiada revista científica The Lancet Regional Health – Americas, lançando luz sobre as raízes dessa mudança de paradigma na saúde no Brasil.

A pesquisa aponta para uma série de transformações no estilo de vida dos brasileiros ao longo das últimas décadas, impulsionadas, em grande parte, pelo avanço da urbanização. Essas mudanças comportamentais criaram um terreno fértil para a proliferação da obesidade, marcada pela drástica redução dos níveis de atividade física e pela adoção generalizada de dietas ricas em calorias, sal e, notoriamente, em alimentos ultraprocessados.

Um “Ambiente Obesogênico” e Seus Impactos

Alexandre Hohl, endocrinologista e membro de importantes entidades como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, corrobora as conclusões do estudo. Ele descreve o ambiente atual como “obesogênico”, um cenário onde a propensão ao ganho de peso se torna quase inevitável para muitos indivíduos. Para o especialista, a obesidade representa um dos mais complexos e urgentes desafios que o sistema de saúde pública do país precisa enfrentar.

Hohl enfatiza a seriedade dessa condição: “A obesidade não é apenas excesso de peso, mas uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e vários tipos de câncer.” Sua declaração sublinha a natureza multifacetada e o vasto leque de complicações associadas ao IMC elevado.

Cenário de Risco: Comparativo 1990 x 2023

A análise dos dados do estudo revela uma impressionante metamorfose nos fatores de risco entre 1990 e 2023. Enquanto no início da década de 90 as maiores ameaças eram a hipertensão, o tabagismo e a poluição por materiais particulados no ar, o cenário atual é drasticamente diferente. Naquele período, o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, principal indicador da obesidade, figurava apenas na sétima posição, com a glicemia elevada em sexto.

Em contraste, 2023 posiciona a obesidade na liderança, após um crescimento contínuo de 15,3% no risco atribuído desde 1990. Atualmente, os três principais fatores de risco à mortalidade ou perda da qualidade de vida são, em ordem decrescente, o índice de massa corporal elevado, a hipertensão e a glicemia elevada.

Tendências Preocupantes e Avanços na Saúde

A comparação temporal oferece um misto de notícias positivas e alarmantes. Houve uma queda expressiva no risco de morte ou perda de qualidade de vida por poluição particulada do ar (69,5%) e uma redução de aproximadamente 60% em casos relacionados ao tabagismo, prematuridade e baixo peso ao nascer, e alto índice de colesterol LDL. Contudo, apesar de uma longa trajetória de declínio, o risco por tabagismo registrou um ligeiro aumento de 0,2% entre 2021 e 2023.

Um dado particularmente chocante é o aumento de quase 24% no risco atribuído à violência sexual durante a infância. Este fator de risco saltou da 25ª posição em 1990 para o 10º lugar em 2023, um indicativo de uma grave questão social com profundas implicações para a saúde pública. Além dos três principais já mencionados, a lista atual de maiores fatores de risco à mortalidade ou perda da qualidade de vida inclui o tabagismo, prematuridade ou baixo peso ao nascer, abuso de álcool, poluição particulada do ar, mau funcionamento dos rins, colesterol alto e violência sexual na infância.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/obesidade-se-torna-principal-fator-de-risco-saude-no-brasil

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