Dólar cai a R$ 5,03 e Ibovespa recua nesta quinta no Brasil

Bolsa volta a bater recorde e ultrapassa os 148 mil pontos

© Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

A cena global de distensão geopolítica e a divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos remodelaram o mercado financeiro brasileiro nesta quinta-feira (28), resultando em um comportamento divergente entre as principais referências. Enquanto o dólar registrou uma queda perceptível frente ao real, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão em terreno negativo, refletindo pressões internas e a cautela com a economia nacional.

Dólar Cede à Redução de Riscos Globais

A moeda americana, o dólar comercial, concluiu o dia negociado a R$ 5,032 na venda, marcando um recuo de R$ 0,029, ou -0,57%, em relação ao fechamento anterior. A cotação, que teve início em R$ 5,07, apresentou sua mínima diária de R$ 5,02 por volta das 15h15, impulsionada pela abertura dos mercados nos Estados Unidos. Apesar da desvalorização pontual na sessão, o dólar ainda acumula uma alta de 1,60% ao longo de maio. Contudo, no horizonte de 2026, a divisa apresenta uma queda expressiva de 8,33%.

Esse movimento de alívio no câmbio foi amplamente atribuído a fatores externos. O mercado reagiu positivamente a informações sobre o avanço de um entendimento preliminar entre Estados Unidos e Irã. A expectativa de ampliação do cessar-fogo no Oriente Médio e o início de novas negociações sobre o programa nuclear iraniano diminuíram a percepção de risco global. Essa redução de tensões na região resultou em menor busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar, beneficiando moedas de países emergentes, entre elas o real, que demonstrou desempenho superior ao de seus pares.

Outro catalisador para a queda da moeda norte-americana foi a divulgação do índice de despesas de consumo pessoal (PCE) nos Estados Unidos. Este indicador de inflação, acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), veio ligeiramente abaixo das projeções de mercado, reforçando a percepção de um cenário de inflação mais controlada na economia americana.

Ibovespa Pressionado por Petrobras e Juros Internos

Em contrapartida ao recuo do dólar, o Ibovespa, da B3, fechou a quinta-feira aos 175.063 pontos, com uma desvalorização de 0,39%. A performance negativa da bolsa brasileira foi substancialmente impactada pelas ações da Petrobras e pela persistente cautela do mercado financeiro em relação à evolução dos juros no Brasil.

Apesar de um cenário onde as bolsas de Nova York alcançaram recordes, o índice brasileiro enfrentou pressões particulares. As ações da Petrobras, em especial, sentiram a volatilidade dos preços do petróleo e encerraram o dia em queda. Os papéis preferenciais da estatal registraram um recuo de 0,72%, enquanto as ações ordinárias perderam 1,16% de seu valor. Esse desempenho desfavorável ocorreu mesmo após a companhia anunciar um reajuste nos preços da gasolina em suas refinarias.

Adicionalmente, o mercado manteve o foco nos indicadores de inflação e nas expectativas para a taxa Selic. Mesmo com a observação de sinais de desaceleração da atividade econômica, como a queda na criação de empregos formais em abril, a percepção de uma inflação ainda elevada alimenta dúvidas sobre o ritmo dos próximos cortes de juros a serem implementados pelo Banco Central.

Petróleo em Montanha-Russa de Preços

O setor de energia também experimentou um dia de forte volatilidade nos preços do petróleo, diretamente influenciados pelas notícias que emergiam do Oriente Médio. O barril de petróleo Brent, um dos principais referenciais internacionais e utilizado pela Petrobras, registrou uma alta de 0,49%, encerrando o pregão cotado a US$ 92,70. Similarmente, o barril WTI, negociado no Texas, valorizou 0,25%, atingindo US$ 88,90.

A expectativa inicial de um possível acordo que facilitasse a reabertura plena do estratégico Estreito de Ormuz chegou a exercer uma pressão de baixa nas cotações da commodity. Contudo, a continuidade das incertezas relacionadas ao conflito e novos relatos de ataques na região contribuíram para manter os investidores em estado de cautela, o que ajudou os contratos futuros a reverterem o movimento e fecharem o dia em alta moderada.

Com informações da Reuters

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/dolar-cai-para-r-503-com-alivio-geopolitico-e-foco-nos-eua

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