Justiça mantém prisão de vereador Zander Fábio por suposta fraude em Goiânia

Defesa contesta legalidade das prisões e diz que vai pedir revisão das decisões no Tribunal de Justiça

Justiça mantém prisão do ex-secretário de Cultura de Goiânia, Zander Fábio

A Justiça goiana confirmou a manutenção da prisão temporária do vereador e ex-secretário municipal de Cultura de Goiânia, Zander Fábio, em um desdobramento crucial da operação policial que investiga um vultoso esquema de irregularidades em contratos públicos. O político é apontado como um dos alvos centrais da apuração conduzida pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), que busca esclarecer possíveis desvios de recursos na Secretaria de Cultura em 2024.

Além de Zander Fábio, outros dois indivíduos tiveram suas detenções prorrogadas: Elton da Silva Nogueira, diretor do Clube Clássico Goiano, e Jean Jesus Magno Lima, que preside a mesma entidade. Ambos são peças-chave na teia de conexões que a PCGO tenta desvendar para compreender o funcionamento do suposto esquema.

Operação desvenda contratos sob suspeita

A investigação detalha a suspeita de que o grupo teria se articulado para utilizar empresas de fachada como instrumentos para receber verbas públicas. Esses recursos, destinados inicialmente à realização de eventos automotivos na capital, teriam sido desviados. Segundo os levantamentos da PCGO, as companhias investigadas receberam ao menos 41 pagamentos, totalizando uma cifra superior a R$ 1,5 milhão em contratos questionáveis.

Os indícios coletados pelos investigadores apontam para um padrão preocupante: diversas das empresas criadas para selar esses contratos foram encerradas poucos meses após as transferências bancárias. Há, ainda, fortes suspeitas de que os administradores dessas empresas mantinham laços diretos com integrantes do clube automotivo, incluindo vínculos familiares e pessoais, o que levanta questionamentos sobre a legitimidade das transações.

Mecanismo do desvio de verba pública

Conforme as averiguações da polícia, os contratos firmados pela Secretaria Municipal de Cultura eram empregados como fachada para viabilizar o alegado desvio de dinheiro público. A corporação também está apurando a possibilidade de que parte desses valores tenha retornado aos envolvidos no esquema, configurando um complexo ciclo de lavagem de dinheiro e corrupção.

Contestação sobre a competência judicial

Durante a audiência de custódia, um dos pontos de discórdia levantados pela defesa dos investigados foi a competência do juiz responsável pelas prisões. Os advogados argumentam que as investigações haviam sido conduzidas anteriormente por outro magistrado, que atuou na Operação Picadeiro, deflagrada em 2025.

Diante desse questionamento, o Ministério Público recebeu um prazo de 24 horas para se posicionar sobre a jurisdição do caso. A linha de defesa sustenta que, caso a tese de incompetência seja aceita, decisões importantes tomadas recentemente na investigação poderão ser anuladas, o que representaria um revés significativo para o andamento do processo.

Próximos passos da defesa

A defesa do vereador Zander Fábio já informou que irá recorrer da decisão que manteve a prisão temporária junto ao Tribunal de Justiça. Os representantes do parlamentar insistem que a medida prisional não cumpre os requisitos legais previstos no processo. Por outro lado, as equipes jurídicas que representam os demais investigados optaram por não se manifestar sobre o caso até a publicação desta matéria.

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