Deputados pedem à PF e Receita Federal investigação sobre Flávio Bolsonaro e Banco Master

Deputados pedem investigação sobre relação entre Vorcaro e Flávio

© Lula Marques/Agência Brasil

A controversa conexão entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e atualmente sob custódia judicial por suspeita de liderar uma organização criminosa, tornou-se o epicentro de uma nova ofensiva parlamentar. Partidos de oposição na Câmara Federal, incluindo PT, PSOL e PCdoB, formalizaram nesta quarta-feira (13) a intenção de acionar a Polícia Federal (PF), a Receita Federal e solicitar a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a fundo a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, especialmente após revelações sobre um milionário aporte para um filme da família.

Acusações de Financiamento Suspeito

A base para as graves acusações e a demanda por uma investigação robusta reside em uma reportagem do site The Intercept Brasil. O veículo jornalístico revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro um substancial aporte financeiro destinado a viabilizar um filme sobre a família Bolsonaro. O banqueiro Daniel Vorcaro está atualmente preso, sob suspeita de chefiar uma organização criminosa dedicada a fraudes financeiras, adicionando um ponto de interrogação sobre a natureza da negociação.

Documentos, mensagens trocadas e áudios obtidos e divulgados pelo The Intercept Brasil indicam que Flávio Bolsonaro teria cobrado diretamente Vorcaro pelos pagamentos. O montante envolvido na negociação, conforme a reportagem, giraria em torno de R$ 134 milhões. Este apoio seria crucial para a execução do projeto cinematográfico, que estava sendo produzido no exterior com a participação de atores e equipe estrangeiros.

Em um dos registros de áudio, o senador Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com os atrasos nos pagamentos:
“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, em áudio.

A matéria do Intercept Brasil detalha que parte do valor teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025. O suposto suporte financeiro envolveu remessas internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo localizado nos Estados Unidos, cuja gestão está a cargo de Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Demandas Parlamentares por Transparência

Em Brasília, a articulação dos partidos de oposição ganhou força. O deputado federal Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara, enfatizou a possível ilegalidade das transferências financeiras:
“Esse recurso encaminhado lá nos EUA para o fundo que tem relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro, passou pela Receita, teve cobrança tributária, foi declarado, é ilegal?”, questionou.

Segundo Uczai, um requerimento detalhado será enviado à Receita Federal para esclarecer estas indagações. Além disso, os parlamentares confirmaram que a denúncia à Polícia Federal visa a abertura de um inquérito para investigar possíveis crimes na conexão entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Uczai concluiu sua fala com uma afirmação contundente sobre a natureza da relação: “Ninguém doa o valor de R$ 134 milhões se não tiver relação pessoal, política e até afetiva”.

As mensagens vazadas pela reportagem, segundo o Intercept, revelam uma proximidade marcante entre o senador e o banqueiro. Flávio Bolsonaro se refere a Vorcaro como “irmão” em diversas ocasiões, chegando a escrever frases como: “Estou e estarei contigo sempre”. Essas interações teriam ocorrido dias antes da primeira prisão de Vorcaro e da subsequente liquidação do Banco Master, por decisão do Banco Central.

O deputado federal Tarcísio Motta (RJ), líder da federação PSOL/Rede na Câmara, enumerou os possíveis delitos envolvidos:
“Lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal. Há indícios fortes desses quatro crimes, que precisam ser investigados, na relação entre o senador Flávio Vorcaro e o banqueiro Daniel Bolsonaro. Porque agora os nomes começam a se misturar”, acusou o parlamentar.

Questionamentos sobre o Orçamento do Filme

A deputada Jandira Feghali (RJ), líder da bancada do PCdoB, levantou dúvidas sobre o vultuoso valor de R$ 134 milhões para a produção de um filme, sugerindo que o montante pode ser desproporcional e levantar questões sobre a verdadeira destinação dos recursos. Em tom irônico, Feghali comparou o orçamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse, com o de produções brasileiras aclamadas e premiadas recentemente, como Ainda Estou Aqui e Agente Secreto.

“O Ainda Estou Aqui não passou de R$ 50 milhões. O Agente Secreto foi R$ 28 milhões de orçamento. Qual é a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para ter um filme de R$ 134 milhões? É importante que a gente também apure para onde de fato, foi esse dinheiro. Para o bolso de quem foi, nós precisamos saber”, afirmou a deputada.

A Versão de Flávio Bolsonaro

Em resposta às acusações e à iniciativa parlamentar, Flávio Bolsonaro emitiu uma nota confirmando o pedido de patrocínio para o filme e sua relação com Daniel Vorcaro. No entanto, o senador destacou que se trata de uma interação estritamente privada.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou.

Na manifestação, Flávio Bolsonaro detalhou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. O parlamentar também explicou a retomada do contato: “O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”.

O senador reforçou em sua nota que não houve qualquer promessa de vantagem indevida em suas tratativas com o banqueiro:
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, completou Flávio Bolsonaro.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-05/deputados-pedem-investigacao-sobre-relacao-entre-vorcaro-e-flavio

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