Dólar fecha acima de R$ 5 e Ibovespa cai sob pressões globais e no Brasil

Dólar cai para R$ 5,19 e continua no menor valor em 20 meses

© Valter Campanato/Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana em turbulência nesta sexta-feira (15), com o dólar americano ultrapassando a barreira dos R$ 5 pela primeira vez em um mês, enquanto a bolsa de valores brasileira registrava uma notável desvalorização. A sessão foi marcada pela conjugação de uma aversão global ao risco e pressões políticas internas, impulsionando a busca por segurança em ativos mais conservadores.

A moeda estadunidense fechou o dia vendida a R$ 5,067, refletindo uma elevação de R$ 0,081, ou +1,63%, em relação ao pregão anterior. Ao longo do dia, o valor do dólar chegou a atingir R$ 5,08 por volta das 13h, embora tenha mostrado leve desaceleração na parte final da tarde. Este patamar representa o maior desde 8 de abril, quando a cotação alcançou R$ 5,10. Na soma dos últimos cinco dias, o dólar acumulou um avanço de 3,48%, mas, no cômputo geral de 2026, a divisa registra uma queda de 7,70%.

Simultaneamente, o principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, negociado na B3, finalizou o pregão aos 177.284 pontos, apresentando um recuo de 0,61%. A pressão sobre o índice foi constante ao longo da jornada, em virtude de um ambiente internacional mais defensivo e do aumento das apreensões sobre a situação fiscal e política doméstica. Apesar de uma queda inicial que superou 1% pela manhã, o Ibovespa conseguiu mitigar parte das perdas, impulsionado principalmente pelo desempenho das ações da Petrobras.

Cenário Global Impulsiona Incerteza nos Mercados

A alta do dólar e a queda dos ativos de risco refletem um complexo quadro de fatores internacionais. Investidores ao redor do mundo estão elevando suas expectativas de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, possa vir a aumentar as taxas de juros americanas. Essa perspectiva ganha força diante da persistência da inflação global, particularmente influenciada pela valorização do petróleo e pela intensificação das tensões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos.

Um evento notável que contribuiu para essa dinâmica foi a disparada dos juros dos títulos públicos do Japão durante a madrugada. Os papéis japoneses de dez anos atingiram 2,37%, o nível mais alto desde 1999, enquanto os títulos de 30 anos superaram a marca de 4%. Esse movimento ocorreu após a inflação ao produtor no Japão acelerar para 4,9% em abril, gerando a expectativa de uma possível elevação dos juros pelo Banco do Japão.

Tal cenário induziu o desmonte de uma parcela das operações conhecidas como carry trade, onde capitais são captados em nações com juros baixos, como o Japão, e investidos em mercados com taxas mais atrativas, como o Brasil. A reversão desse fluxo de capitais resultou no fortalecimento da moeda americana e na saída de recursos de economias emergentes, afetando o desempenho do dólar.

Preocupações Políticas no Brasil Pressionam Ativos Locais

No contexto nacional, o mercado financeiro igualmente monitorou de perto os recentes desdobramentos políticos. As notícias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro geraram cautela adicional. A percepção geral entre os investidores foi que o recrudescimento das incertezas no âmbito político brasileiro intensificou a procura por proteção na moeda americana, vista como um porto seguro em momentos de volatilidade.

Adicionalmente, a bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, acompanhou o movimento de baixa observado nas principais bolsas internacionais. Em Nova York, o S&P 500, que engloba as 500 maiores empresas, registrou uma queda de 1,23%, motivada pela crença de que as taxas de juros nos Estados Unidos podem permanecer elevadas por um período mais prolongado. No front doméstico, a circulação de uma nova reportagem pelo site Intercept Brasil, nesta sexta-feira, detalhando as relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master, somou-se ao ambiente de cautela em relação aos ativos brasileiros.

Escalada no Oriente Médio Acende Alerta para Inflação e Dólar

Os preços do petróleo registraram uma valorização superior a 3% no dia, impulsionados pelo aumento das tensões no Oriente Médio. A ausência de progressos nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, um corredor marítimo crucial por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, exacerbou as preocupações. O barril do Brent, referência no mercado internacional, fechou com alta de 3,35%, atingindo US$ 109,26, enquanto o barril WTI, negociado no Texas, avançou 4,2%, encerrando o dia a US$ 105,42.

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou o “esgotamento” de sua paciência com o Irã, repercutiram fortemente no mercado. Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, declarou: “Teerã não confia nos americanos e que só negociará se houver seriedade por parte de Washington”. A persistência da crise no Golfo Pérsico mantém acesa a preocupação com a inflação global, exercendo pressão sobre as taxas de juros e elevando a volatilidade nos mercados financeiros globais.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/dolar-sobe-r-506-e-bolsa-cai-com-tensao-global-e-ruido-politico

What do you feel about this?