Violência Sexual Atinge 25% das Estudantes Adolescentes no Brasil, Aponta Pesquisa do IBGE
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), revelou um dado alarmante: um quarto das estudantes adolescentes no Brasil relata ter sofrido alguma forma de violência sexual, incluindo toques indesejados, beijos forçados ou exposição não consentida de partes íntimas. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (25), entrevistou 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos em 4.167 escolas públicas e privadas por todo o país, em 2024.
Os números indicam um aumento preocupante em relação a 2019, ano da última pesquisa. O percentual de meninas que relataram tais violências cresceu 5,9 pontos percentuais. Além disso, 11,7% das estudantes afirmaram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais, um aumento de 2,9 pontos percentuais em relação a 2019.
Embora a incidência seja maior entre as meninas, estudantes de ambos os gêneros relataram situações de abuso, totalizando mais de 2,2 milhões de vítimas de assédio e 1,1 milhão de casos de relações sexuais forçadas. O IBGE destaca que, apesar de ambas as categorias serem tipificadas como estupro pela legislação brasileira, a pesquisa optou por separá-las em duas perguntas para facilitar a compreensão dos adolescentes durante as entrevistas.
De acordo com o IBGE, “Esse tipo de violência nem sempre é identificado pela vítima, seja por falta de conhecimento em razão da idade, no caso de menores, seja por aspectos sociais e culturais. Nesse sentido, a identificação dos diversos atos que caracterizam a violência sexual, por um lado, consiste numa estratégia metodológica que facilita a identificação da violência; por outro, possibilita a caracterização da violência em escalas de gravidade”.
A pesquisa também revelou que a maioria dos casos de relação sexual forçada (66,2%) ocorreu quando a vítima tinha 13 anos ou menos. A violência é mais frequente entre estudantes de escolas públicas, com 9,3% relatando terem sido intimidados ou forçados a uma relação sexual, em comparação com 5,7% dos alunos da rede privada.
No que tange aos agressores, a maioria das vítimas de relação sexual forçada foi violentada por pessoas próximas: 8,9% por pai, padrasto, mãe ou madrasta; 26,6% por outros familiares; 22,6% por namorados ou ex-namorados; e 16,2% por amigos. Nos casos de assédio sexual, a categoria mais mencionada foi “outro conhecido” (24,6%), seguido por outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%).
O estudo também abordou a questão da gravidez precoce, identificando que cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram alguma vez, representando 7,3% daquelas que iniciaram a vida sexual. Desse total, 98,7% eram de escolas da rede pública. Nos estados da Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas, o índice de gravidez precoce ultrapassa 10% das estudantes.
A pesquisa ainda aponta que o uso de preservativo na primeira relação sexual foi de 61,7%, caindo para 57,2% na relação mais recente, indicando uma diminuição do uso de proteção ao longo do tempo.
Os dados de 2024 também revelam um início mais tardio da vida sexual em comparação com a pesquisa anterior, com 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já tendo tido alguma relação, 5 pontos percentuais a menos do que em 2019. No entanto, entre aqueles que já iniciaram a vida sexual, 36,8% tiveram a primeira relação com 13 anos de idade ou menos. A idade média da iniciação sexual foi de 13,3 anos entre os meninos e 14,3 anos entre as meninas.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/um-quarto-das-estudantes-adolescentes-ja-foi-alvo-de-violencia-sexual
