Tensões no Oriente Médio: Impacto misto no comércio exterior brasileiro

Saldo da balança comercial tem recorde em dezembro mas encolhe em 2025

© Petrobras/Divulgação

O recente acirramento das tensões no Oriente Médio pode gerar um impacto misto no comércio exterior brasileiro, de acordo com avaliação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A expectativa é de um possível aumento nas exportações de combustíveis, impulsionado pela pressão sobre os preços do petróleo, e um impacto negativo temporário nas vendas de alimentos para a região.

Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, explicou que, como o Brasil é um exportador líquido de petróleo, a elevação dos preços tende a aumentar o saldo do comércio de combustíveis. “O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, afirmou.

Contudo, o diretor ressaltou que países do Oriente Médio são importantes compradores de produtos alimentícios brasileiros, como carne de frango, milho, açúcar e produtos halal. Uma eventual queda nas vendas desses produtos seria, segundo Brandão, um efeito temporário, já que “a demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer. Os fluxos tendem a se normalizar”. Dados do Mdic indicam que cerca de 32% das exportações brasileiras de milho, 30% da carne de aves, 17% do açúcar e 7% da carne bovina têm como destino o Oriente Médio.

A balança comercial brasileira também apresentou mudanças nas relações com outros parceiros importantes. As exportações para os Estados Unidos tiveram uma queda de 20,3% em fevereiro, totalizando US$ 2,523 bilhões, enquanto as importações recuaram 16,5%, atingindo US$ 2,788 bilhões, resultando em um saldo negativo de US$ 265 milhões. Essa é a sétima queda consecutiva nas vendas para os EUA, em um movimento que pode estar associado à sobretaxa de 50% imposta anteriormente pelo governo americano, mas que foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA.

Em contrapartida, as exportações para a China apresentaram um crescimento expressivo, com um aumento de 38,7% em fevereiro, alcançando US$ 7,220 bilhões. As importações chinesas caíram 31,3%, totalizando US$ 5,494 bilhões, gerando um superávit de US$ 1,73 bilhão na balança comercial com o país asiático. Brandão atribuiu parte desse resultado à compra de uma plataforma de petróleo da Coreia do Sul, no valor de US$ 2,5 bilhões, que impactou as estatísticas de importação.

As exportações para a União Europeia também cresceram, com um aumento de 34,7% em fevereiro, atingindo US$ 4,232 bilhões, enquanto as importações recuaram 10,8%, para US$ 3,301 bilhões, resultando em um superávit de US$ 931 milhões. Já no comércio com a Argentina, houve retração tanto nas exportações, que caíram 26,5%, somando US$ 1,057 bilhão, quanto nas importações, que recuaram 19,2%, para US$ 850 milhões, resultando em um superávit de US$ 207 milhões para o Brasil.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/conflito-no-oriente-pode-elevar-exportacoes-de-combustivel-do-brasil

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