Assédio atinge 7 em cada 10 mulheres em espaços públicos, revela pesquisa.

Sete em cada dez mulheres relatam já terem sofrido assédio, diz estudo

© Rede Nossa São Paulo/Divulgação

Uma pesquisa recente revelou que 7 em cada 10 mulheres em dez capitais brasileiras, incluindo Goiânia, já sofreram assédio moral ou sexual, principalmente em espaços públicos e ruas. O estudo “Viver nas Cidades: Mulheres”, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec, entrevistou 3,5 mil pessoas em dezembro de 2025.

Os resultados apontam que 71% das 2.066 mulheres entrevistadas relataram ter sofrido assédio em pelo menos um dos locais pesquisados, como ruas, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares/casas noturnas ou transporte particular. “A insegurança é uma regra na nossa vida, não é uma exceção. Há uma proporção alta de mulheres que seguem dizendo que já sofreram assédio”, alertou Patrícia Pavanelli, diretora da Ipsos-Ipec.

O levantamento destaca que ruas e espaços públicos são os locais mais comuns de assédio, com 54% das citações, seguidos pelo transporte público, com 50%. Apesar de uma leve queda em relação a 2014, os organizadores da pesquisa consideram que a proporção de mulheres que sofreram assédio continua alta. “O espaço público e o transporte público se destacam como os lugares mais hostis para as mulheres, sendo esse um problema recorrente e que limita a nossa liberdade, o nosso direito à cidade”, ressaltou Patrícia Pavanelli.

A pesquisa também investigou soluções para combater o problema, apontando que 55% dos entrevistados defendem o aumento das penas contra agressores, enquanto 48% pedem a ampliação dos serviços de proteção às vítimas. A promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de SP, pondera que o combate à violência contra mulheres não se resolve apenas com punição, destacando que o feminicídio já possui a maior pena no código penal, mas isso não tem diminuído esse tipo de crime. Naiza Bezerra, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos de SP, enfatiza a necessidade de repensar as intervenções públicas e mecanismos de proteção às mulheres. “Muitas mulheres não estão seguras no lar e, quando ela vai para o espaço público, para a rua, o transporte público, ela enfrenta uma insegurança ainda maior”, afirmou.

O estudo também abordou a divisão de tarefas domésticas, revelando que, embora 39% dos entrevistados acreditem que a responsabilidade é de todos, as mulheres ainda fazem a maior parte do trabalho. Essa percepção varia entre homens e mulheres: 47% dos homens acham que as tarefas são divididas igualmente, enquanto apenas 28% das mulheres compartilham dessa opinião.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/sete-em-cada-dez-mulheres-relatam-ja-terem-sofrido-assedio-diz-estudo

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