Golpe da agência de modelos: Jovens de Brasília relatam prejuízos e falsas promessas

Grupo de mulheres do DF acusa agência de modelos de golpe

© Bruno Peres/Agência Brasil

Uma reportagem revela que jovens aspirantes a modelos em Goiás e outras localidades estão buscando a Justiça após se sentirem lesadas por uma agência de modelos com sede em Brasília. Atraídas por promessas de trabalhos remunerados divulgadas em redes sociais, as vítimas relatam terem sido induzidas a pagar altas quantias para a divulgação de seus perfis, sem o retorno esperado em oportunidades de trabalho.

Uma das entrevistadas, identificada como Ana, de 28 anos, detalhou como a esperança de uma nova profissão se transformou em dívidas e frustração. Após ser contatada pela agência Brain, ela desembolsou cerca de R$ 2 mil, inclusive recorrendo ao cheque especial, para que suas fotos fossem divulgadas. O único trabalho realizado, para uma loja de óculos, rendeu apenas um desconto no valor devido ao agenciador.

Outras jovens relatam experiências semelhantes, formando um grupo online para compartilhar suas frustrações. Pelo menos dez clientes formalizaram uma ação judicial contra a agência, buscando a rescisão dos contratos e a devolução dos valores pagos, que somam aproximadamente R$ 53 mil. A advogada do grupo, Amanda Cristina Barbosa, confirmou que o objetivo é reaver o prejuízo financeiro e o dano causado às expectativas das clientes.

Uma ex-funcionária da agência, que preferiu não se identificar, revelou à reportagem que a prática de captar modelos com promessas de trabalho, sem a garantia de resultados, era conhecida internamente. Segundo ela, a orientação era elogiar os candidatos para convencê-los a fechar contrato.

Enquanto isso, o advogado criminalista Jaime Fusco sugere que as ações da agência podem configurar crime de estelionato, recomendando que o caso seja investigado pela polícia especializada em fraudes e pelo Ministério do Trabalho.

Em resposta às acusações, a defesa da agência Brain nega qualquer promessa de emprego e afirma que os contratos são claros quanto à ausência de garantia de trabalho. A empresa refuta ainda a alegação de que orienta clientes a comprar seguidores em redes sociais, alegando que apenas incentiva o uso de estratégias legítimas de crescimento digital. A agência também afirma que não foi formalmente notificada sobre a ação movida pelas clientes e que sempre busca a conciliação.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-10/grupo-de-mulheres-do-df-acusa-agencia-de-modelos-de-golpe

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