Operação policial no Vidigal, Rio, deixa 200 retidos no Morro Dois Irmãos

Operação policial deixa visitantes "ilhados" em cartão-postal do Rio

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Um violento confronto armado marcou o início da manhã desta segunda-feira (20) na comunidade do Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro, durante uma operação policial que resultou no isolamento de cerca de 200 pessoas no alto do Morro Dois Irmãos. Turistas e moradores, que buscavam a vista privilegiada do ponto turístico, foram surpreendidos pela intensa troca de tiros, deflagrada por agentes da Polícia Civil fluminense em ação conjunta com o Ministério Público do Estado da Bahia. A ofensiva visava prender integrantes de uma facção criminosa, que reagiram à chegada das forças de segurança, transformando o cenário de paisagem em palco de tensão.

### Alvos da Operação e Cooperação Interestadual

A complexa operação policial foi concebida para desarticular uma célula do Comando Vermelho da Bahia que, conforme informações de inteligência da polícia, estaria homiziada no Vidigal. A articulação entre as forças de segurança dos dois estados, incluindo a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) do Rio de Janeiro e a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, é fruto de uma investigação aprofundada. A Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro ressaltou a natureza da intervenção: “A ação é resultado de um trabalho conjunto de inteligência e cooperação interestadual entre as forças de segurança”. Em nota, a secretaria também assegurou que a operação foi conduzida com rigor técnico e não registrou feridos.

### Isolamento no Morro Dois Irmãos

No epicentro do conflito, os visitantes e frequentadores habituais do Morro Dois Irmãos – que tradicionalmente acessam o local por trilhas para apreciar o amanhecer e a panorâmica do Rio de Janeiro – viram-se impedidos de descer por várias horas. A perigosa situação imposta pela falta de segurança na área manteve os indivíduos retidos no topo. Imagens aéreas divulgadas pela TV Globo posteriormente mostraram que a evacuação do grupo ocorreu de forma organizada, com as pessoas descendo em fila pela trilha. Em meio ao caos, a Polícia Civil enfatizou a conduta dos criminosos: “Na chegada, narcotraficantes atacaram os agentes, colocando deliberadamente a população e visitantes em risco”.

### Cenário de Medo e Bloqueios na Comunidade

O tiroteio intenso não se restringiu às áreas de confronto direto. Moradores do Vidigal utilizaram as redes sociais para descrever um ambiente de medo e insegurança, com relatos de sons de disparos e a passagem de helicópteros da Polícia Civil sobre a favela. Vídeos compartilhados online capturaram o som inconfundível dos tiros, evidenciando a gravidade da situação. Além disso, a reação dos criminosos incluiu a queima de lixeiras da Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) na Avenida Niemeyer. Essa importante via, que conecta os bairros de São Conrado e Leblon e serve como principal acesso ao Vidigal, ficou bloqueada por aproximadamente trinta minutos, impactando o fluxo de veículos. A normalização do trânsito na Avenida Niemeyer só foi possível após a intervenção de um comboio da Polícia Militar.

### Balanço da Ação e Apreensões

Ao final da operação, a Polícia Civil divulgou o balanço das prisões e apreensões. Três indivíduos foram detidos: uma mulher e dois homens, presos em flagrante. A polícia, contudo, não especificou se estes se referem aos alvos primários da investigação. A ação resultou também na apreensão de um arsenal que incluía um fuzil, uma espingarda, uma pistola, diversas munições, rádios transmissores e aparelhos celulares, além de uma considerável quantidade de drogas. O trabalho de inteligência que subsidiou a ofensiva, conforme a secretaria, buscou agir com rigor técnico para garantir a efetividade da operação.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-04/operacao-policial-deixa-visitantes-ilhados-em-cartao-postal-do-rio

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