Justiça de Goiás proíbe delegado de atuar contra advogada em caso próprio
Momento em que a advogada é algemada e levada para a delegacia
Uma decisão judicial que restringe a atuação do delegado Christian Zilmon Mata dos Santos em investigações envolvendo a advogada Áricka Rosália Alves Cunha desencadeou uma nova fase de tensão no caso Advogada e Delegado, que tem mobilizado o meio jurídico. Em resposta, o delegado divulgou um vídeo no último domingo (19) afirmando que cumprirá a determinação, porém “desde que não seja exposto ao ridículo”, reacendendo o debate sobre a conduta policial em conflitos pessoais.
Restrição Judicial e o Conflito de Interesses
A medida cautelar, um habeas corpus preventivo concedido na madrugada de domingo (19/04) durante plantão criminal na Macrorregião 2, partiu do juiz Samuel João Martins. A liminar impede especificamente o delegado Christian Zilmon de realizar atos como a lavratura, registro ou qualquer deliberação sobre uma possível prisão em flagrante da advogada Áricka Rosália Alves Cunha, especialmente em situações onde ele se apresente como suposta vítima. A intervenção judicial ocorreu após um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO).
A Resposta do Delegado e o Cenário de um Novo Embate
No vídeo veiculado, o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos mencionou ter sido notificado sobre um “mandado de segurança preventivo” – embora a decisão judicial tenha sido, de fato, um habeas corpus. Ele sinalizou que, caso identifique a prática de um ilícito penal, a eventual detenção da advogada poderia ser executada por outro profissional da corporação. “Ela não está acima da lei”, declarou, indicando que a adoção de novas providências estará condicionada ao teor das futuras manifestações da advogada em questão, o que mantém acesa a chama do conflito delegado OAB.
Argumentos da OAB-GO e a Visão do Judiciário
A solicitação da OAB-GO ao Judiciário fundamentou-se em alegações de monitoramento ostensivo e ininterrupto da advogada, supostamente por drones e sem autorização judicial, o que poderia configurar invasão de privacidade e domicílio. Além disso, a entidade mencionou a veiculação de vídeos que sugeriam a possibilidade de novas prisões em decorrência de publicações em redes sociais.
Ao analisar os argumentos, o magistrado rejeitou a concessão de um salvo-conduto amplo, reforçando que a liberdade de expressão não exime de responsabilização penal por possíveis excessos. Contudo, o juiz considerou incompatível com as premissas jurídicas e do Estado de Direito que o próprio delegado, na condição de vítima, conduzisse procedimentos relacionados à prisão da advogada. “Lavrar, registrar e deliberar sobre a prisão em flagrante de uma pessoa com quem se tem conflito pessoal é incompatível com a técnica jurídica e com o Estado de Direito”, sentenciou.
OAB-GO Reafirma Prerrogativas e Liberdade de Expressão
O presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, enfatizou a relevância da liminar, que, segundo ele, reforça a imunidade material dos advogados, um pilar fundamental do Estatuto da Advocacia, e a liberdade de expressão. Martins assegurou que a entidade continua acompanhando de perto o caso Advogada e Delegado, adotando as medidas necessárias para garantir o pleno exercício profissional da advogada e prevenir o abuso de autoridade delegado.
A Gênese do Conflito e a Prisão Inicial
A origem deste complexo embate remonta a 16 de abril, quando Áricka Rosália Alves Cunha foi detida em seu próprio escritório, pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. A prisão ocorreu após a advogada publicar críticas ao arquivamento de um boletim de ocorrência por difamação. O delegado justificou sua ação como resposta a uma suposta ofensa à sua honra.
As imagens da advogada algemada, que rapidamente viralizaram nas redes sociais, amplificaram a repercussão do incidente. Tanto a OAB-GO quanto o Conselho Federal da OAB classificaram a prisão da advogada como arbitrária, levantando preocupações sobre uma possível violação de prerrogativas profissionais, da liberdade de expressão e do próprio Estatuto da Advocacia. Desde então, o episódio tem alimentado um intenso debate jurídico e social sobre prerrogativas de advogados, abuso de autoridade e a defesa da liberdade individual, com a OAB-GO instando a Polícia Civil de Goiás a iniciar uma rigorosa apuração interna sobre os fatos.
Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA
https://www.rotajuridica.com.br/caso-da-advogada-aricka-cunha-delegado-afirma-que-vai-cumprir-decisao-da-justica-desde-que-nao-seja-exposto-a-ridiculo/
