Brasil negocia com EUA para barrar tarifas políticas ligadas à eleição de 2026
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
A diplomacia brasileira acelera suas articulações para conter a iminente imposição de tarifas comerciais de 25% por parte dos Estados Unidos sobre uma parcela de seus produtos. A poucos dias do prazo final, em 15 de julho, o governo em Brasília avalia as medidas norte-americanas como intrinsecamente politizadas, enraizadas num contexto eleitoral que mira os resultados do pleito presidencial brasileiro de outubro de 2026, com a Casa Branca demonstrando claro interesse no desfecho.
Disputa com Contexto Geopolítico
A percepção dominante entre os negociadores brasileiros é de que a possível elevação das taxas de importação não se restringe a uma pauta meramente comercial. As ações de Washington, especialmente sob a administração Trump, são interpretadas como parte de uma “nova política de segurança nacional”. Publicada em dezembro de 2025, essa diretriz enfatiza a busca pela “proeminência” dos EUA na América Latina, rechaçando a influência de atores externos e sinalizando diretamente para a China. Donald Trump, inclusive, repercutiu nesta semana um artigo que posiciona a eleição no Brasil como um dos “grandes testes” para os EUA na região, expressando a preferência por um cenário que afastasse o “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva do poder.
A Origem das Acusações Americanas
A recomendação para aplicar as tarifas sobre produtos brasileiros partiu do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), embasada em uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento central é que o Brasil adotaria práticas comerciais “desleais”, chegando a incluir críticas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, sob a alegação de favorecer empresas de pagamentos americanas.
A Resposta Enérgica de Brasília
O Brasil tem contestado veementemente a legitimidade desses argumentos, classificando a decisão como uma tentativa de ingerência em assuntos internos e um ato de protecionismo comercial unilateral de Washington. O Ministério das Relações Exteriores, por meio de sua conta no X (antigo Twitter), reforçou a posição do governo brasileiro na última quarta-feira (24), afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. O Itamaraty sublinhou que o país segue mobilizando seus canais oficiais de interlocução para demonstrar que as políticas brasileiras não representam prejuízo ao comércio com os Estados Unidos. Como contra-argumento, o governo brasileiro destaca que a tarifa média aplicada sobre as importações dos EUA é de apenas 2,7%, refutando a tese de que empresas norte-americanas estariam em desvantagem no acesso ao mercado nacional.
Negociações Intensas e Impasse Político
Ambos os governos prosseguem em negociações comerciais para um possível acordo antes da data-limite. A equipe brasileira busca persuadir os EUA de que um entendimento mútuo seria mais benéfico para os dois países do que a imposição das taxas extras. Apesar de reconhecerem a dificuldade, os representantes de Brasília mantêm a crença de que um consenso é alcançável. Contudo, prevalece a percepção de que a administração Trump pode deliberadamente evitar um acordo que venha a favorecer o atual governo brasileiro, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Isso transforma o que seria uma negociação estritamente comercial – mesmo com os EUA ostentando superávit na balança comercial com o Brasil – em uma questão imbricada na estratégia global de Washington.
Críticas Internas à Intervenção
No cenário doméstico, a questão das tarifas comerciais dos EUA também gerou controvérsia. Após um evento sobre o Mercosul e a União Europeia, em São Paulo, na última sexta-feira (26), o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou duramente a iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, de negociar a questão das tarifas com os EUA. Alckmin declarou: “Na realidade, são maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito.”
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/brasil-avalia-que-tarifaco-dos-eua-foi-politizado-mirando-eleicoes
