Ministério da Justiça inaugura escritório antifacção no Rio contra crime organizado

Escritório Antifacção no RJ vai integrar forças estaduais e federais

© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) inaugurou nesta sexta-feira (03) o Escritório Nacional Antifacção do Rio de Janeiro, marcando um avanço crucial na estratégia federal de combate ao crime organizado no país. A nova estrutura, localizada na capital fluminense, visa intensificar a integração e aprimorar a atuação conjunta entre a União, o governo do estado do Rio e os municípios, focando na desarticulação de grandes facções criminosas.

A iniciativa posiciona o Rio de Janeiro como um epicentro da política de segurança pública nacional, devido à complexidade de seus desafios. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a presença federal no estado será agora constante. “Foi aqui que vimos surgirem algumas das principais transformações do crime organizado contemporâneo, que consolidaram formas sofisticadas de controle territorial armado, que as organizações criminosas passaram a combinar violência, exploração econômica, captura de mercados, lavagem de dinheiro, infiltração em atividades econômicas formais e institucionais”, declarou o ministro, sublinhando a importância estratégica da unidade.

Reforço Nacional Contra o Crime Organizado

A abertura do Escritório Nacional Antifacção na capital fluminense integra o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma iniciativa abrangente do governo federal. Além da unidade carioca, estruturas similares já foram instaladas em São Paulo e Foz do Iguaçu, no Paraná, ampliando a capilaridade da ação federal. Complementando essa rede, tanto o Rio de Janeiro quanto São Paulo foram contemplados com novas sedes regionais do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), peças-chave na estratégia de enfrentamento às organizações criminosas.

O secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, enfatizou o papel vital do Coaf nesse programa. “Se o objetivo final das organizações criminosas é o lucro, e se o lucro financia as ações violentas, a gente tem que fechar esse gargalo”, afirmou Lucas, destacando a “absoluta centralidade” da asfixia financeira como um dos pilares de atuação. O secretário detalhou a abordagem para desmantelar as fontes de financiamento: “Então, já estamos levantando com a Anatel, por exemplo, todas as operadoras de telefonia e de internet que trabalham para o crime organizado, todas as atividades econômicas que foram capturadas por eles. Vamos mapear e eliminar os focos dessa infiltração e principalmente regular o mercado para evitar que esse tipo de coisa aconteça.”

Apoio Federal a Estados e Forças de Segurança

A atuação do Escritório Antifacção do Rio de Janeiro não se restringirá apenas ao território fluminense. A unidade foi concebida para oferecer suporte logístico e estratégico ao governo federal na assistência às forças de segurança do estado em operações específicas. Além disso, terá a missão de auxiliar outras unidades da federação que enfrentam organizações criminosas com origem no Rio de Janeiro.

“Não é justo que o Rio de Janeiro suporte essa despesa e todas essas operações sem o apoio da União”, pontuou Chico Lucas. O secretário ressaltou a natureza colaborativa da nova estrutura: “Então, o escritório vai trabalhar a nível estratégico de inteligência para apoiar outras unidades da federação, tanto na produção de conhecimento, nas operações, como também na captura de foragidos. Isso tudo em sinergia com os estados e com as forças de segurança.”

Segurança nos Presídios: Um Pilar Essencial

O plano federal de combate ao crime organizado também dedica atenção prioritária ao sistema penitenciário. Conforme anunciou o secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, o governo federal promoverá o reforço da segurança nas prisões do estado do Rio de Janeiro. A iniciativa inclui a doação de equipamentos e o treinamento de policiais penais, que receberão capacitação baseada nos rigorosos protocolos aplicados nos presídios federais de segurança máxima.

Garcia informou que 138 unidades prisionais em todo o Brasil foram selecionadas para receber essas ações, abrangendo as principais penitenciárias fluminenses. Para intensificar o controle, será realizada uma programação mensal que prevê, no mínimo, duas operações regionais e uma grande operação nacional nesses estabelecimentos. O objetivo é claro: “Neles, encontramos quase 80% das lideranças criminosas do nosso país. Com isso, nós pretendemos monitorar, isolar e impedir que esses indivíduos articulem as atividades criminosas fora do presídio”, concluiu o secretário, reforçando a estratégia de desarticulação das facções desde o interior das cadeias.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-07/escritorio-antifaccao-no-rj-vai-integrar-forcas-estaduais-e-federais

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