18ª Marcha da Maconha reúne milhares pela legalização em São Paulo

Marcha em São Paulo pede legalização da maconha

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Milhares de vozes ecoaram neste domingo (21) na Avenida Paulista, em São Paulo, em um robusto protesto pela legalização da maconha e a desconstrução de estigmas sociais. Em sua 18ª edição, a Marcha da Maconha reuniu apoiadores, ativistas e famílias em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde os manifestantes criticaram veementemente os efeitos perversos da criminalização da planta.

Consequências da Ilegalidade e o Apelo por Regulamentação

A pauta central da manifestação, que mobilizou dezenas de milhares de pessoas na tarde de hoje, focou nas consequências da proibição. Os participantes da mobilização enfatizaram que a manutenção da ilegalidade da cannabis tem implicações diretas na superlotação carcerária, ao mesmo tempo em que fomenta um preconceito injusto contra o seu uso medicinal e terapêutico. Este último, conforme destacado, beneficia inclusive crianças sob rigorosa prescrição médica.

A multidão que tomou a famosa avenida paulistana era um reflexo da diversidade da sociedade. Entre os participantes da Marcha da Maconha, era possível encontrar idosos, pais e mães acompanhados de seus filhos, e jovens adultos, todos unidos pelo debate sobre a regulamentação da cannabis. Cartazes e camisetas carregavam mensagens que denunciavam as restrições impostas aos medicamentos à base da planta, como “Maconha não mata, mas o feminicídio, sim”, sublinhando a amplitude das preocupações do movimento.

A Luta Pessoal e a Desconstrução do Estigma

A professora de educação infantil Stephanie Oliveira foi uma das estreantes na mobilização, marcando presença ao lado de seu namorado. Sua participação era motivada por uma experiência familiar: sua mãe, de 47 anos, utiliza cannabis medicinal para melhorar a qualidade do sono e aliviar dores crônicas nas costas.

Inicialmente, Stephanie admitiu à reportagem ter hesitado em compartilhar o momento em suas redes sociais, temendo possíveis reações negativas de colegas de trabalho. Contudo, prevaleceu a convicção sobre a importância do movimento pela legalização. “Não é um assunto tão aberto e eu não converso muito sobre isso na escola com as minhas colegas de trabalho, sendo que a maioria me segue no Instagram. Cheguei a pensar se deveria postar, mas considero o movimento importante. Vou publicar independentemente de julgamentos, porque é uma causa que eu apoio, mesmo não fumando”, declarou.

O Potencial e os Obstáculos do Mercado de Cannabis no Brasil

O debate pela legalização da maconha ganha contornos ainda mais urgentes diante do cenário atual do mercado. Dados do anuário da Kaya Mind, principal referência brasileira em sistematização de informações sobre o segmento da cannabis, revelam que atualmente cerca de 50 mil indivíduos no país declaram já realizar tratamento com produtos derivados da Cannabis sativa.

A publicação, que contou com apoio financeiro da Gravital Clínica Canábica e da Cannect, salienta que a baixa aceitação social da planta continua sendo um obstáculo significativo para a efetiva regulamentação. Essa resistência dificulta o avanço das discussões e restringe o acesso aos produtos canábicos importados, que acabam se tornando privilégio apenas de quem possui elevado poder aquisitivo.

Em um levantamento mais recente, a Bliss Data 2026 aponta que as mulheres de meia-idade e início da velhice configuram o principal grupo demográfico que consome a maconha medicinal no Brasil, evidenciando um perfil específico de usuários que busca os benefícios terapêuticos da planta.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-06/marcha-em-sao-paulo-pede-legalizacao-da-maconha

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