Projeto do Senado criminaliza lucro com discurso de ódio digital

Projeto no Senado criminaliza monetização de discurso de ódio nas redes sociais

Projeto no Senado criminaliza monetização de discurso de ódio nas redes sociais

O Senado Federal avalia uma significativa proposta legislativa destinada a coibir a monetização e o impulsionamento de manifestações de ódio em plataformas digitais. O projeto em questão visa à criminalização de indivíduos e entidades que auferirem lucro com a criação, promoção ou disseminação de conteúdo discriminatório, incluindo aqueles pautados por gênero ou orientação sexual. A matéria, identificada como PL 1.897/2026, propõe penas que variam de dois a cinco anos de prisão, acompanhadas de multa, para os infratores.

Expansão da Responsabilidade Penal

De autoria da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), a iniciativa legislativa busca promover alterações na Lei 7.716, de 1989. O escopo do projeto é expandir a responsabilização penal para além dos criadores diretos dos conteúdos. Assim, quem intermediar, patrocinar, fomentar, financiar, contratar impulsionamento, gerir programas de afiliados ou fornecer infraestrutura para a propagação desses materiais também estará sujeito às sanções previstas.

A proposta da senadora ainda prevê o aumento da pena em um terço até a metade caso a prática envolva a utilização de anúncios pagos, redes automatizadas, contas inautênticas, a ocultação ou dissimulação da origem dos recursos utilizados, ou se o conteúdo atingir uma ampla disseminação.

O Cerne da Proposta: Combatendo a Monetização da Discriminação

A justificativa apresentada pela senadora Professora Dorinha Seabra para o PL 1.897/2026 ressalta o foco na dinâmica econômica por trás do discurso de ódio. Segundo ela, a proposta: “busca enfrentar a atual dinâmica de monetização do discurso de ódio, em que agentes digitais transformam a violência e a discriminação em produtos altamente lucrativos”. Para Dorinha, a medida tem como objetivo atingir o pilar financeiro que sustenta e expande esses discursos, visando a inibir toda a cadeia de lucro associada à sua propagação.

Consequências Sociais e Casos Emblemáticos

A parlamentar enfatiza que a influência de conteúdos carregados de discurso de ódio transcende o ambiente online, gerando reflexos diretos no comportamento social, com especial impacto entre os mais jovens. A senadora citou um episódio recente de estupro coletivo que chocou o Rio de Janeiro, envolvendo uma adolescente de 17 anos. Relatos da imprensa e as linhas investigativas da polícia indicam que os agressores poderiam ter sido influenciados por ideologias de ódio contra mulheres, frequentemente veiculadas em comunidades digitais ligadas ao universo “Red Pill”.

O movimento “Red Pill” é amplamente reconhecido pela difusão de narrativas misóginas, as quais frequentemente promovem a ideia de que as mulheres são manipuladoras ou detêm uma posição inferior nas interações sociais. Em muitos dos espaços online associados a esse movimento, observa-se a manifestação de discursos por meio de generalizações pejorativas, desqualificação feminina e um claro incentivo à hostilidade, o que, por sua vez, legitima atitudes discriminatórias no cotidiano.

Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA

https://www.rotajuridica.com.br/projeto-no-senado-criminaliza-monetizacao-de-discurso-de-odio-nas-redes-sociais/

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