Goiânia: Prefeito participa de encontro para reforçar rede contra violência à mulher

Mabel reforça rede de proteção às mulheres e defende ação integrada contra a violência em Goiânia

Prefeito Sandro Mabel participa da primeira reunião da Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Fotos: Alex Malheiros)

Goiânia mobiliza um robusto esquema de enfrentamento à violência contra a mulher, com o prefeito Sandro Mabel reforçando o compromisso da gestão municipal em combater um cenário alarmante: cerca de 1,7 mil mulheres atualmente protegidas por medidas judiciais e 890 equipadas com o botão do pânico na capital. O pronunciamento ocorreu durante o primeiro encontro da recém-reforçada Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher em Goiânia, realizado na manhã desta segunda-feira (25/5), que reuniu diversas esferas para traçar novas estratégias de ação conjunta.

Reforço à Rede de Proteção e Dados Preocupantes

A reunião, que contou com a presença de representantes do sistema de Justiça, segurança pública, saúde, assistência social e diversas instituições parceiras, teve como objetivo principal apresentar o panorama atual das políticas públicas e serviços destinados às mulheres em situação de vulnerabilidade, além de pactuar fluxos de atendimento e definir prioridades estratégicas para a atuação integrada da rede. O prefeito Sandro Mabel sublinhou a urgência da situação: “Hoje temos em Goiânia cerca de 1,7 mil mulheres com medidas protetivas e 890 com botão do pânico. É muita mulher vítima de violência em Goiânia e isso tem que acabar. Por isso, estamos reforçando a rede de proteção à mulher.”

Durante o evento, o chefe do executivo municipal também expressou preocupação com o andamento da construção da Casa da Mulher Brasileira, um espaço fundamental de acolhimento integral para vítimas de violência doméstica, que já se encontra na quarta licitação. “Pedi que façam um edital mais forte para entrar uma empresa que cumpra com a exigência, porque precisamos que ela seja concluída”, declarou Mabel, enfatizando a necessidade de celeridade e eficácia na entrega dessa estrutura vital para o enfrentamento à violência de gênero.

União de Forças no Combate à Violência Feminina

A secretária municipal de Políticas para Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, Erizania Freitas, contextualizou a iniciativa, lembrando que, embora o prefeito Sandro Mabel tenha institucionalizado uma rede mais ampla para combater todos os tipos de violência na cidade, houve uma determinação específica para a criação de um protocolo voltado à mulher. Ela destacou a relevância da data: “Por isso hoje, nesse 25 Laranja, todos os organismos se unem na Rede de Proteção à Mulher para instituir protocolos, traçar metas e, acima de tudo, avançar nas políticas sociais voltadas às mulheres goianienses.” O “Dia Laranja”, celebrado a cada dia 25 do mês, é uma campanha global das Nações Unidas pelo fim da violência contra as mulheres.

A autonomia financeira é um pilar crucial na estratégia de apoio às mulheres vítimas de violência. Erizania Freitas detalhou a parceria com o Sistema S, que oferece bolsas integrais para cursos de qualificação profissional, facilitando a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho. “Isso porque sabemos que é importante que essa mulher tenha autonomia financeira para que possa romper com esse ciclo. Por outro lado, a secretaria trabalha com o Cadastro Único, para que ela possa também receber o Bolsa Família”, explicou a secretária, evidenciando o esforço em prover um suporte completo.

Ações de Proteção e Reeducação em Goiânia

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Goiânia desempenha um papel fundamental na proteção direta, conforme detalhado pelo comandante Gustavo Toledo. O programa Mulher Mais Segura conta com três equipes exclusivas e já atendeu mais de 4.600 mulheres desde sua implantação, garantindo o cumprimento das medidas protetivas expedidas pela Justiça. “Apesar das três viaturas exclusivas para o programa, qualquer uma pode atender as ocorrências de violência doméstica”, ressaltou Toledo.

Além do suporte às vítimas, a rede de proteção também investe na reeducação dos agressores. A promotora de Justiça Emiliana Rezende explicou o funcionamento dos grupos reflexivos: após o indiciamento por violência doméstica, os juízes encaminham os homens agressores para sessões de terapia em grupo. Nesses espaços, eles desenvolvem uma nova percepção da masculinidade e aprendem a resolver conflitos de forma saudável, sem recorrer à violência. “A gente percebe que quando o homem passa por esse grupo reflexivo, ele não volta a praticar a violência doméstica, ele muda a sua mentalidade. Isso está comprovado estatisticamente”, revelou a promotora, destacando a eficácia da abordagem.

O Desafio das Denúncias e a Busca por Justiça

A realidade da violência doméstica transcende classes sociais, mas atinge de forma mais visível as mulheres de baixa renda, que são as que mais denunciam, segundo a juíza Hanna Lídia Rodrigues, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da comarca de Goiânia.

A delegada Ana Elisa Gomes Martins, titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), ilustra a gravidade do problema com números diários: cerca de 30 mulheres buscam a delegacia em Goiânia diariamente para registrar denúncias de violência física. No âmbito estadual, são quase 30 mil mulheres com medidas protetivas amparadas pela Lei Maria da Penha. “Temos conseguido salvar vidas dessas mulheres porque elas tiveram coragem de procurar essas forças de segurança. Daí a importância de termos todos os atores envolvidos no combate a esse tipo de violência”, finalizou a delegada, reforçando a importância da coragem das vítimas e da união de esforços para erradicar a violência contra a mulher.

Fonte e Fotos: Prefeitura Municipal de Goiânia

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