UFRJ impulsiona produção de lúpulo no Brasil com até 2,5 safras anuais

Projeto pode reposicionar país no mercado de lúpulo

© Reuters/Peter Gercke/Direitos reservados

Uma iniciativa promissora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) busca redefinir o panorama da produção de lúpulo no Brasil, alçando o país a um patamar de referência global. Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ) estão empenhados em um projeto audacioso que visa desenvolver uma robusta cadeia produtiva nacional, com potencial para suprir a demanda interna e consolidar o Brasil como um fornecedor-chave para mercados tropicais.

O Desafio da Dependência e a Ambição Nacional

Atualmente, o mercado brasileiro de lúpulo depende fortemente de importações, com a maior parte do insumo provindo de regiões de clima frio. Nessas localidades, as condições de luminosidade e temperatura permitem apenas uma colheita anual, contrastando com o potencial do cenário tropical brasileiro. A matéria-prima, essencial para a cerveja, onde confere amargor, aroma e estabilidade, também possui aplicações significativas nos setores de alimentos, etanol, cosméticos e farmacêutico, ampliando consideravelmente sua relevância econômica e industrial.

Em 2024, a produção global de lúpulo atingiu cerca de 114 mil toneladas. No Brasil, contudo, foram produzidas apenas 81 toneladas frente a uma demanda interna estimada em 7 mil toneladas, que movimenta aproximadamente R$ 878 milhões anualmente. Esse cenário de produção nacional que representa apenas 1,11% do consumo revela uma dependência substancial de mercados externos e um vasto espaço para a expansão do cultivo de lúpulo no Brasil.

Inovação e Estruturação de uma Nova Cadeia Produtiva

O projeto, sediado no Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança (Casulo), da Coppe, tem como objetivo adaptar o lúpulo ao ambiente nacional. A meta é replicar o sucesso obtido pelo país em culturas como a soja e o trigo, dominando a tecnologia de cultivo e processamento para alcançar escala e competitividade internacional. Amanda Xavier, coordenadora do Programa de Engenharia de Produção, ao qual o Casulo é vinculado, ressalta a abrangência da proposta:

“Estamos falando de estruturar uma nova cadeia produtiva no país, integrando desde o cultivo com agricultura de precisão até o processamento industrial e o controle de qualidade em laboratório próprio.”

A iniciativa da Coppe/UFRJ inclui o desenvolvimento de extratos de lúpulo, produtos de alto valor agregado. Esses extratos são obtidos por meio de tecnologia avançada de extração com CO?, garantindo padronização, rastreabilidade e fornecimento em grande escala para diversos segmentos. “Com agricultura de precisão e controle laboratorial, podemos oferecer extratos padronizados que atendam tanto a cervejarias artesanais quanto à indústria farmacêutica”, complementa Amanda Xavier.

O Papel Estratégico do Mapa do Lúpulo Brasileiro

Em uma colaboração com a Associação Brasileira do Lúpulo (Aprolúpulo), o Casulo/Coppe foi fundamental na elaboração do “Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024”, documento divulgado em março de 2026. Este guia estratégico é crucial para direcionar pesquisas, fomentar políticas públicas e atrair investimentos no setor. A publicação do mapa já começa a influenciar decisões e projetos regionais, conforme explica a professora da Coppe:

“Teremos agora dados para planejar locais de cultivo, demandas de infraestrutura e iniciativas de capacitação técnica. Além disso, o mapa nos ajuda a priorizar pesquisas para melhoramento genético e desenvolvimento de protocolos de pós-colheita adequados ao clima tropical.”

Vantagem Climática: Mais Safras e Competitividade Global

Um dos grandes trunfos do projeto reside na capacidade de transformar as características climáticas do Brasil em uma significativa vantagem competitiva para a produção de lúpulo. Enquanto as regiões tradicionais de clima frio oferecem apenas uma safra anual, o manejo adequado e o uso de tecnologias como a suplementação luminosa permitem ao país alcançar até 2,5 safras por ano. Esse ganho expressivo de produtividade representa um diferencial marcante em relação aos países que hoje dominam o mercado.

Desenvolvimento Regional e Geração de Oportunidades

A escolha da localização para o desenvolvimento da cadeia produtiva do lúpulo é um ponto crucial. A região selecionada será alvo de investimentos em infraestrutura e concentrará conhecimento técnico, inovação e articulação produtiva, elementos essenciais para que se torne uma referência nacional. Assim como ocorreu com outras cadeias agrícolas brasileiras, a definição do local pode catalisar a formação de um ecossistema completo, conectando a produção primária, a indústria, a pesquisa e o mercado consumidor.

Na prática, isso se traduz em uma oportunidade tangível de fomento ao desenvolvimento regional, com a criação de empregos qualificados e a atração de novos negócios. A iniciativa da Coppe/UFRJ, ao impulsionar a produção de lúpulo no Brasil, visa não apenas a substituição de importações e o fortalecimento da indústria nacional, mas também a inserção do país em uma cadeia global de maior valor agregado.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/coppe-lidera-projeto-que-pode-reposicionar-pais-no-mercado-de-lupulo

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