VSR dispara casos de SRAG em crianças no Brasil; 10 estados em alto risco
© Tomaz Silva/Agência Brasil
O Brasil enfrenta um cenário de preocupante intensificação das doenças respiratórias, com destaque para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que atinge principalmente crianças pequenas e idosos. Um novo alerta emitido pelo Boletim Infogripe, divulgado nesta quinta-feira (14) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revela um aumento expressivo dos casos causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em menores de dois anos, ao mesmo tempo em que a Influenza A mantém uma escalada em diversas regiões e segue como principal causa de óbitos.
A ascensão do vírus sincicial respiratório (VSR) é o motor principal por trás da elevação dos quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave entre a população infantil. O patógeno é o desencadeador primário da bronquiolite, uma inflamação que afeta as ramificações pulmonares e tem especial incidência em bebês com idade inferior a dois anos. Outras faixas etárias, no entanto, mantêm uma estabilidade no registro de SRAG.
Nos últimos 28 dias analisados, os dados da Fiocruz indicam que o VSR foi responsável por 41,5% de todas as infecções por SRAG que tiveram diagnóstico viral confirmado. Em seguida, surgem a Influenza A, respondendo por 27,2% dos casos, e o rinovírus, com 25,5% de prevalência.
Enquanto o VSR desafia a saúde infantil, o panorama da Influenza A também gera preocupação. O vírus gripal continua em trajetória ascendente nos três estados da Região Sul, em Roraima e Tocantins (Norte), e em São Paulo e Espírito Santo (Sudeste). Esta variante da gripe é particularmente letal para idosos, sendo associada a 51,7% das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave com resultado positivo para algum vírus nas últimas quatro semanas.
Diante desses dois focos de atenção, o cenário epidemiológico classifica todas as unidades federativas brasileiras em situação de alerta. Uma dezena delas, contudo, encontra-se em patamar de alto risco: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Além disso, projeções apontam para uma tendência de aumento de casos em 14 estados nas próximas semanas: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Amapá, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já havia emitido um comunicado de cautela no final do mês passado, sinalizando o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com um alerta específico para a Influenza A H3N2 e o VSR.
### Estratégias de Prevenção Contra Vírus Respiratórios
A vacinação emerge como ferramenta crucial no enfrentamento das Síndromes Respiratórias Agudas Graves. A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça a importância da imunização para a saúde pública:
“A principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e influenza A é a vacinação. Por isso, é essencial que as pessoas com maior risco de agravamento por esses vírus se vacinem”
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra a gripe em todo o território nacional, protegendo contra o tipo A e priorizando grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, crianças menores de seis anos e indivíduos com comorbidades ou que integrem categorias de risco elevado a desenvolver formas graves da doença. Para o VSR, uma vacina específica é administrada a gestantes a partir da 28ª semana, visando conferir proteção aos recém-nascidos. Adicionalmente, o SUS oferece um anticorpo monoclonal contra o VSR destinado a bebês prematuros, grupo com risco elevado de complicações, funcionando como uma dose de anticorpos prontos, diferente do mecanismo de estímulo à produção imunológica das vacinas tradicionais.
### Retrospectiva: Dados de SRAG em 2026
Para contextualizar a situação atual, os dados compilados de 2026 revelam que 57.585 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave foram notificados em território brasileiro, dos quais 45,7% apresentaram resultado positivo para a presença de algum vírus respiratório.
Ao longo daquele ano, o rinovírus foi o agente mais prevalente entre as amostras virais identificadas, correspondendo a 36,1% do total, seguido pela Influenza A com 26,3%, o VSR com 25,3% e, por fim, a covid-19, com 7,4%. No entanto, a distribuição da letalidade entre esses vírus difere significativamente. Das 2.660 mortes por SRAG registradas, 1.151 tiveram confirmação laboratorial para um patógeno respiratório. As infecções por Influenza A foram responsáveis pela maior parcela desses óbitos, 39,6%, superando a covid-19 (26%), o rinovírus (21,3%) e o VSR (6,4%).
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/brasil-tem-alta-de-sindrome-respiratoria-aguda-grave-em-bebes
