AMB lança cartilha para orientar médicos do Brasil sobre Inteligência Artificial.
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A Associação Médica Brasileira (AMB) deu um passo fundamental na regulamentação do uso de inteligência artificial (IA) na saúde ao lançar, este mês, um guia orientador para médicos e instituições. A iniciativa visa detalhar as diretrizes da Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), a primeira legislação brasileira sobre o tema, que entrará plenamente em vigor em agosto, após um prazo de 180 dias para adequação concedido desde sua publicação em fevereiro de 2026. O objetivo é assegurar a aplicação ética e segura da tecnologia na prática clínica, reforçando a autonomia profissional.
A IA como Ferramenta de Suporte na Saúde
O documento da AMB mergulha nos detalhes da Resolução nº 2.454/2026, a pioneira legislação brasileira a estabelecer diretrizes para a inteligência artificial no exercício da medicina. No cerne dessa regulamentação, e ressaltado na cartilha, está o princípio de que a inteligência artificial deve operar exclusivamente como uma ferramenta de apoio.
“A decisão clínica permanece sob responsabilidade do médico, que mantém autonomia técnica e ética em todas as etapas do cuidado ao paciente”, diz a AMB.
Um comunicado da entidade enfatiza que, embora as inovações tecnológicas possam expandir significativamente a capacidade diagnóstica e operacional dos profissionais, a prerrogativa do julgamento humano é insubstituível e deve prevalecer em qualquer circunstância da aplicação da IA na saúde.
Direitos, Deveres e Limites do Uso de IA na Medicina
A cartilha da AMB oferece um panorama detalhado dos direitos e deveres dos médicos no contexto da inteligência artificial. Entre os direitos, destaca-se a liberdade para empregar a IA como suporte à tomada de decisão, bem como a prerrogativa de recusar sistemas que não possuam validação científica comprovada ou que apresentem riscos éticos.
Simultaneamente, o material estabelece deveres considerados cruciais para a boa prática. Isso inclui a necessidade imperativa de capacitação contínua para lidar com as ferramentas de IA na medicina, a adoção de um olhar crítico sobre os resultados gerados pela tecnologia e o registro obrigatório em prontuário de qualquer uso da inteligência artificial durante o atendimento ao paciente.
“Entre as proibições expressas estão a delegação de diagnósticos à IA, o uso de sistemas sem segurança de dados e a omissão da informação ao paciente quando a tecnologia tiver papel relevante no atendimento.”
Classificação de Risco e Governança da Inteligência Artificial
Um dos pontos de destaque no guia sobre inteligência artificial na prática clínica é a metodologia de classificação dos sistemas de IA conforme seu nível de risco: baixo, médio, alto e inaceitável. Para cada uma dessas categorias, a AMB determina exigências proporcionais de governança e controle, visando mitigar potenciais danos e garantir a segurança do paciente.
A associação reforça que “Sistemas de maior impacto clínico demandam estruturas mais robustas de controle, monitoramento e validação”, evidenciando a necessidade de uma gestão rigorosa para ferramentas que interferem diretamente na vida dos indivíduos.
Segurança Jurídica e Proteção de Dados com a IA
Para salvaguardar tanto o profissional quanto o paciente, a cartilha enfatiza a relevância do registro detalhado do uso de inteligência artificial em prontuário, garantindo assim a proteção jurídica do médico. Além disso, a AMB recomenda a formalização de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) específico para a aplicação da tecnologia, promovendo a transparência no processo assistencial.
“A adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também é tratada como obrigatória, uma vez que informações de saúde são consideradas dados sensíveis”, ressaltou a AMB.
A atenção à LGPD é crucial, considerando que a inteligência artificial frequentemente processa grandes volumes de dados sensíveis dos pacientes, tornando a conformidade com a legislação um pilar para a confiança e a segurança digital na saúde.
Rumo à Conformidade: Um Guia Prático para a IA na Prática Clínica
Com uma abordagem didática e linguagem acessível, a cartilha da AMB oferece um roteiro prático para que médicos e instituições se adequem à Resolução CFM sobre inteligência artificial. O passo a passo inclui etapas fundamentais como o inventário dos sistemas de IA utilizados, a correta classificação de risco de cada um, a validação científica de todas as ferramentas, a elaboração de protocolos internos de uso e a capacitação continuada das equipes de saúde.
O material é complementado por um checklist institucional, facilitando a verificação das conformidades, e um glossário abrangente. Este último explica conceitos essenciais relacionados à inteligência artificial na saúde, como IA generativa, modelos de linguagem e vieses algorítmicos.
A AMB conclui que “Para a AMB, a iniciativa busca apoiar os médicos brasileiros na incorporação segura e ética da inteligência artificial, promovendo inovação sem abrir mão da qualidade assistencial e da autonomia profissional.” O compromisso é fomentar o avanço tecnológico sem comprometer a essência humanizada e responsável da medicina.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/cartilha-orienta-medicos-e-instituicoes-sobre-uso-de-ia-na-medicina
