Ministério da Saúde libera R$ 900 mil para combater Chikungunya em Dourados (MS)

Saúde libera R$ 900 mil para combate ao Chikungunya em Dourados

© Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

O Ministério da Saúde anunciou um aporte emergencial de R$ 900 mil, destinado a intensificar as ações de vigilância, assistência e controle da Chikungunya na região da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul. A medida visa fortalecer a resposta à doença em uma área que tem registrado aumento de casos.

A pasta informou que o valor será repassado em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde (FNS) diretamente para o fundo municipal. A utilização dos recursos é flexível, visando cobrir diversas frentes de atuação: “Os recursos poderão ser utilizados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no atendimento à população”, informa o ministério.

Além do investimento financeiro, outras iniciativas estão em andamento na região. Entre elas, destaca-se a instalação de mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), armadilhas inovadoras com recipientes plásticos e tecido impregnado com larvicida. O mecanismo de combate é engenhoso: “Ao entrar em contato com o produto, o inseto passa a disseminar o larvicida em outros criadouros, contribuindo para interromper o ciclo de reprodução”, detalhou o comunicado. Agentes municipais também receberam capacitação de técnicos da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses para o uso eficaz dessas novas tecnologias de controle vetorial.

A atuação se estende aos territórios indígenas de Dourados, onde uma busca ativa é conduzida em conjunto pela Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). Essa ação resultou em 106 atendimentos domiciliares nas aldeias Jaguapiru e Bororó.

Em um esforço concentrado, o Ministério da Saúde instalou recentemente uma sala de situação, com o objetivo primordial de coordenar as ações federais de enfrentamento à Chikungunya. Essa estrutura, que posteriormente será levada ao próprio território, permitirá uma atuação integrada entre áreas técnicas, gestores estaduais e municipais e outros órgãos públicos, fortalecendo a tomada de decisão. Desde o início de março, agentes de saúde e de combate às endemias já realizaram mais de 2,2 mil visitas a residências nas aldeias da região, promovendo mutirões de limpeza, eliminação de focos de reprodução do mosquito, e aplicação de larvicidas e inseticidas.

Para reforçar as equipes em campo, o ministério também autorizou, em caráter emergencial, a contratação temporária de 20 agentes de combate a endemias. A seleção será feita por análise curricular, com expectativa de que esses profissionais iniciem suas atividades nas próximas semanas.

A Força Nacional do SUS está atuando em Dourados desde 18 de março, em parceria com as equipes locais. Atualmente, 34 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, estão mobilizados nas áreas mais afetadas. A mobilização da equipe ocorreu após um alerta epidemiológico emitido pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, em virtude do aumento expressivo de casos de arboviroses no município. As ações contam com a colaboração das Secretarias de Saúde Indígena (Sesai) e de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, e da Defesa Civil estadual.

A Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti, vetor predominante no Brasil. O vírus foi introduzido no continente americano em 2013, causando epidemias em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe. No Brasil, sua presença foi confirmada laboratorialmente em 2014 nos estados do Amapá e da Bahia, e, atualmente, todos os estados registram a transmissão do arbovírus. Em 2023, o Ministério da Saúde observou uma importante dispersão territorial do vírus, com maior incidência em estados da Região Sudeste, um panorama diferente dos anos anteriores, quando as maiores concentrações da doença eram no Nordeste. A infecção é caracterizada por edema e dor articular incapacitante, podendo apresentar outras manifestações e, em casos graves, levar à internação e, eventualmente, ao óbito.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/saude-libera-r-900-mil-para-combate-ao-chikungunya-em-dourados

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