CPMI do INSS encerra trabalhos com relatório rejeitado; investigação segue para MPF e STF
© Lula Marques/ Agência Brasil.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao fim sem um relatório final aprovado, após sete meses de intensa investigação. O parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado por 19 votos a 12 pela maioria dos membros da comissão.
Logo após a apuração, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu encerrar os trabalhos. A decisão impediu a votação de um relatório alternativo, que havia sido elaborado pela base governista. Uma questão de ordem apresentada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA) para a apreciação do texto governista não foi acatada por Viana, que optou por não indicar um relator para a leitura.
Apesar do encerramento sem consenso, Carlos Viana garantiu que as investigações terão prosseguimento. Ele anunciou que cópias do relatório rejeitado serão encaminhadas a diversas instâncias, como o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) complementou, informando que o documento produzido pela base do governo também será entregue à Polícia Federal.
A reunião que culminou no encerramento da CPMI teve início na sexta-feira (27), pouco antes das 10h, e se estendeu até a madrugada deste sábado (28), após a 1h. O texto de mais de 4 mil páginas proposto pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo figuras como Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, o empresário Maurício Camisotti, e Daniel Vorcaro, do Banco Master, além de ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares. Entre os nomes mencionados para indiciamento estava Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Gaspar alegava que “ele teria recebido repasses do Careca do INSS por meio de uma amiga, a empresária Roberta Luchsinger, também indiciada”.
A apresentação desse documento ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar, na quinta-feira (26), a prorrogação dos trabalhos da CPMI, determinando que a comissão deveria ser encerrada neste sábado.
Em contrapartida, o relatório alternativo, articulado pela base do governo, sugeria o indiciamento de 201 pessoas, incluindo ex-ministros, políticos, servidores do INSS e assessores. Entre os citados neste documento estavam o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como “comandante de suposta organização criminosa que fraudava descontos associativos do INSS”, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por organização criminosa.
A CPMI iniciou seus trabalhos em agosto de 2025 com o objetivo de investigar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, expandindo posteriormente para apurar supostas ligações do Banco Master com empréstimos consignados irregulares. Em suas últimas semanas, a comissão foi alvo de acusações de vazar “conversas pessoais de Daniel Vorcaro”, provenientes de celulares apreendidos pela Polícia Federal e repassados à comissão com autorização judicial.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-03/cpmi-do-inss-termina-sem-relatorio-final
