Fernanda Machiavelli assume Ministério do Desenvolvimento Agrário com saída de Paulo Teixeira
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Em Brasília, durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que Fernanda Machiavelli, atual secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), assumirá o comando da pasta. A transição ocorrerá devido à desincompatibilização do atual ministro, Paulo Teixeira, que concorrerá ao cargo de deputado federal nas próximas eleições.
Lula justificou a escolha de Machiavelli, destacando a importância de manter no governo pessoas já familiarizadas com a administração pública. “Eu estou tomando todo o cuidado para manter no governo as pessoas que já trabalham no governo e que já conhecem a máquina, para facilitar o trabalho. Tenho certeza que a Fernanda dará conta”, afirmou o presidente. A posse de Machiavelli está prevista para os próximos dias, e ela deverá permanecer no cargo durante os nove meses restantes do mandato.
Fernanda Machiavelli, servidora pública de carreira e especialista em políticas públicas e gestão governamental, possui formação em ciências sociais, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP). Ela ocupa o cargo de secretária-executiva do MDA desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023.
Durante a conferência, Lula apresentou um balanço das ações do governo na área da agricultura familiar, incluindo a renegociação de dívidas de 507 mil agricultores através do Desenrola Rural, totalizando R$ 23 bilhões. Ele também mencionou o Plano Safra, que já realizou um milhão de operações, com R$ 37 bilhões contratados.
O presidente também ressaltou a titulação de áreas quilombolas, com a concessão de 32 títulos e a assinatura de 60 decretos, beneficiando 10,1 mil famílias em 271 mil hectares. No Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), foram assentadas 234 mil famílias nos últimos três anos. “É desnecessário dizer o que foi feito, porque a necessidade é tanta, por mais que a gente faça, sempre faltará uma coisa a ser feita. O importante é ter em conta que a conquista da vida, da sociedade, de qualquer país do mundo, é um processo”, ponderou Lula.
Lula elogiou o trabalho de Paulo Teixeira à frente do MDA e a gestão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), liderada por César Aldrighi. Ele também se dirigiu às lideranças de movimentos sociais de luta pela terra e de comunidades quilombolas presentes na cerimônia: “Sem vocês, nós não chegaríamos aonde chegamos. Quando vocês quiserem divergir da gente, não tem problema. Nós somos a única possibilidade que vocês têm de questionar. O único presidente que vocês podem conversar, chamando ele de Lula, de companheiro, sou eu. Não tem outro presidente para vocês chamarem de companheiro”, afirmou.
O presidente também expressou preocupação com o cenário internacional, criticando a expansão de guerras e a ascensão de grupos extremistas. “A democracia está correndo risco em vários lugares, a chamada extrema-direita tem crescido em vários lugares e o que é mais grave: os conflitos armados. Hoje, nós temos a maior quantidade de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. É conflito em quase todos os continentes”, observou.
Em relação à soberania nacional, Lula enfatizou que as terras raras e os minerais críticos existentes no Brasil são propriedade do povo brasileiro e criou um conselho especial para cuidar desses recursos. “Eu criei um conselho especial para cuidar das terras raras e minerais críticos, da soberania nacional. Aqui nesse país quem levanta o nariz somos nós e quem cuida das nossas coisas somos nós”, enfatizou.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-03/fernanda-machiavelli-e-nova-ministra-do-desenvolvimento-agrario
