Erika Hilton denuncia “sistema de ódio” e prioriza combate à misoginia na Comissão da Mulher

Comissão enfrentará "sistema organizado de opressão", diz Erika Hilton

© Lula Marques/Agência Brasil.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), recém-eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, declarou em entrevista ao programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, que um dos principais desafios da comissão será combater um “sistema organizado de opressão, desigualdade, injustiça e ódio” direcionado a grupos marginalizados historicamente.

Durante a entrevista, a deputada informou ter acionado a Justiça Eleitoral contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) por suposta fraude eleitoral no uso de cotas raciais, ao se declarar parda. Hilton também criticou o uso de blackface por Fabiana Bolsonaro, classificando a atitude como racista e violenta.

Hilton listou como prioridades de sua gestão o enfrentamento à misoginia intensificada por discursos de ódio, especialmente nos ambientes digitais, que atingem mulheres, pessoas trans, crianças e minorias. Ela ressaltou que a conquista de espaço por esses grupos gerou incômodo em setores conservadores da sociedade, gerando uma “guerra de narrativas”. “Há uma guerra de narrativas contra esses grupos cuja presença nesses lugares ainda parece muito incômoda para essas pessoas [conservadoras]”, disse.

A deputada defendeu a ampliação do conceito de mulher, indo além de questões biológicas. Em resposta às críticas sobre sua capacidade de presidir a comissão, argumentou que “mulher não é apenas um ser biológico. Mulher é um ser social, cultural, político e material também”. Ela também criticou parlamentares que questionaram sua legitimidade, acusando-as de serem favoráveis a pautas como o “PDL da Pedofilia e ao PL do Estupro” e de votarem contra a igualdade salarial entre homens e mulheres, questionando: “Como elas podem se sentir autorizadas a tentar desqualificar minha presidência, quando suas atuações políticas sempre foram contra a dignidade das mulheres e das meninas brasileiras? Isso não tem a ver com o discurso que elas querem colocar. Isso tem a ver com preconceito e com o ódio”.

Erika Hilton enfatizou a necessidade de avançar na legislação para combater a violência no ambiente digital, que se estende ao mundo real, resultando em cultura de estupro e feminicídio. Segundo ela, é preciso definir responsabilidades e criar mecanismos de controle e segurança para pais e proteção a crianças, adolescentes e mulheres, sob pena de o ambiente digital se tornar uma “terra sem lei”.

A Agência Brasil informou ter entrado em contato com o gabinete da deputada Fabiana Bolsonaro e se mantém aberta para manifestações.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-03/comissao-enfrentara-sistema-organizado-de-opressao-diz-erika-hilton

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