Gasolina a R$ 9: Privatização da BR Distribuidora e Especulação Aumentam Preços dos Combustíveis
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
Especialistas e entidades do setor de petróleo têm expressado preocupação com os aumentos considerados abusivos nos preços dos combustíveis, com relatos de gasolina sendo vendida a R$ 9 o litro em postos de São Paulo. A instabilidade internacional não seria a única causa, segundo analistas.
A privatização da BR Distribuidora é apontada como um fator crucial, eliminando o controle estatal sobre a cadeia de fornecimento e expondo o mercado a reajustes que não refletem os valores das refinarias. A ausência de uma estrutura verticalizada, que ia “do poço ao posto”, teria retirado do Brasil a capacidade de conter a especulação em momentos de crise.
Ticiana Alvares, do Ineep, alertou para a venda de gasolina a preços elevados “mesmo sem reajustes equivalentes nas refinarias”. A FUP também denunciou aumentos desproporcionais em postos de São Paulo, mesmo sem elevação por parte da Petrobras.
Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, estima que “as distribuidoras e revendedoras aumentaram os preços dos combustíveis. [O valor] chega na bomba para o consumidor final com acréscimo em torno de 40%”. A FUP argumenta que o conflito no Oriente Médio tem sido usado como pretexto para margens de lucro excessivas.
Bacelar relaciona a majoração de preços à privatização da BR Distribuidora e da Liquigás, antigas subsidiárias da Petrobras. Ele defende que “uma companhia petrolífera que faz exploração e produção de petróleo, e também transporte, refino, distribuição e comercialização dos derivados desse petróleo, consegue praticar política de preços diferenciada”.
Geraldo de Souza Ferreira, da UFF, concorda, afirmando que a retirada de uma empresa pública do setor retira do Estado suas “ferramentas institucionais” de intervenção. Souza Ferreira assinala que “uma empresa pública é orientada por sua função social. Já as empresas privadas são orientadas para o lucro, para o retorno financeiro.”
A Vibra Energia S.A., que adquiriu a BR Distribuidora, anunciou um lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024.
A Petrobras perdeu o controle da BR Distribuidora em julho de 2019, com a privatização total sendo concluída dois anos depois. A venda das empresas subsidiárias da Petrobras ocorreu sem consulta ao Congresso Nacional, conforme entendimento do STF.
Para tentar conter o aumento dos preços dos combustíveis, o governo federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e editou medida provisória que autoriza a concessão de subvenção econômica para a comercialização de óleo diesel.
O governo federal criou uma sala de monitoramento para acompanhar as condições de comercialização de combustíveis e se reuniu com as empresas distribuidoras, que sugeriram que a Petrobras amplie a importação de diesel para garantir o abastecimento e a estabilidade dos preços no país.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/privatizacao-da-br-prejudica-consumidor-em-momento-de-crise
