Ataque a Escola Iraniana Mata 168 Crianças e Expõe Horrores da Guerra no Oriente Médio

Ataque à escola de meninas no Irã expõe os horrores da guerra

© Anadolu Agency/Reuters/ Proibido reprodução

Um ataque a uma escola de meninas em Minab, no Irã, resultou na morte de 168 crianças, marcando o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O incidente, ocorrido no último sábado, expôs a população civil, em especial as mulheres e crianças, aos horrores do conflito no Oriente Médio.

O velório das vítimas, realizado na terça-feira, reuniu uma multidão vestida de preto, com imagens das valas preenchidas com caixões percorrendo o mundo. A tragédia reacende o debate sobre os direitos humanos no Irã, frequentemente utilizados como justificativa para o isolamento internacional de Teerã e sanções econômicas.

De acordo com a agência de notícias, o ataque à escola, um centro de educação infantil feminina, deixou também mais de 90 crianças feridas.

A socióloga Berenice Bento, da UnB, questiona a relação entre a guerra e a defesa dos direitos humanos ou da democracia. A jornalista Soraya Misleh, da USP, enfatiza a luta das mulheres iranianas por seus direitos, destacando o movimento “Mulher, Vida e Liberdade”, iniciado após a morte de Mahsa Amini. “Mulheres iranianas organizaram um grande movimento, em 2022, o Mulher, Vida e Liberdade e seguem em luta há décadas. O povo iraniano, os povos árabes, o povo palestino devem decidir seu destino, não os EUA e Israel”, comentou Soraya Misleh.

A advogada e ativista Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz em 2023 pela sua luta contra a opressão das mulheres, está presa no Irã, condenada a 7 anos e meio de reclusão.

Natália Ochôa, pesquisadora da UFRGS, critica a visão ocidental da mulher muçulmana como alguém que precisa ser salva, questionando por que uma escola de meninas se tornou alvo. Em artigo, ela pergunta: “Se elas precisam de salvação, por que a última coisa que tem sido feita é salvá-las?”.

Apesar dos desafios enfrentados na República Islâmica, dados apontam para avanços sociais, como o aumento da alfabetização feminina e a participação das mulheres no ensino superior.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre o ataque.

Até o momento, Estados Unidos e Israel não assumiram a autoria do ataque. A Casa Branca informou que está investigando o caso, enquanto Israel nega qualquer ligação com suas operações militares.

Berenice Bento cita a Doutrina Dahiya para argumentar que o ataque pode ter sido intencional. “Com o ataque à escola, eles estão querendo dizer não vão deixar pedra sob pedra. É destruir tudo. Para que a própria população civil, diante daquela destruição, se coloque contra o poder local. Eles destruíram Gaza inteira para fazer com que a população de Gaza se posicione contra o Hamas”, avaliou.

O New York Times, após análise de imagens e vídeos, sugere que a escola foi atingida por um ataque de precisão, simultâneo a ofensivas dos EUA a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica. “As declarações oficiais de que as forças americanas estavam atacando alvos navais perto do Estreito de Ormuz, onde está localizada a base da Guarda Revolucionária Islâmica, sugerem que eles provavelmente foram as responsáveis ??pelo ataque”, avaliou o NYT.

O major-general português Agostinho Costa considera a possibilidade de um erro de alvo, dada a proximidade da escola ao objetivo militar. “Já estive em locais submetidos a ataques com mísseis Tomahawk podendo constatar que a margem de erro existe”, comentou o especialista.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-03/ataque-escola-de-meninas-no-ira-expoe-os-horrores-da-guerra

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