Europa apoia EUA e Israel contra o Irã, exceto Espanha

Europa apoia guerra dos EUA e Israel contra Irã; Espanha diverge

© Aleksandr Grechanyuk/Divulgação

Com o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, a Europa, com exceção da Espanha, tem demonstrado apoio político e militar aos esforços de Washington e Tel Aviv, visando uma “mudança de regime” em Teerã.

Reino Unido, França e Alemanha evitaram condenar os ataques ao Irã, buscando justificativas e responsabilizando o país persa pelo conflito, além de exigirem que o Irã aceite as condições impostas por EUA e Israel. O Reino Unido, inclusive, além de não condenar os ataques, ainda condenou a retaliação do Irã contra bases americanas, ao mesmo tempo que oferece suporte logístico para Washington a partir de bases britânicas no Oriente Médio.

Enquanto isso, a França, ao mesmo tempo em que anuncia planos para aumentar seu arsenal nuclear, critica o programa nuclear iraniano, alegando que este possui fins pacíficos. O presidente francês, Emmanuel Macron, enviou navios de guerra para o Oriente Médio para participar de “operações defensivas” europeias. Já a Alemanha declarou que não é o momento de “dar lições” aos aliados que atacaram o Irã, compartilhando dos objetivos de EUA e Israel de derrubar o governo iraniano e se colocando à disposição para contribuir com a “recuperação econômica do Irã”.

Em uma declaração conjunta, Alemanha, França e Reino Unido exigiram o fim dos “ataques imprudentes” do Irã e informaram que tomarão as ações “defensivas” necessárias para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem”.

Portugal, por sua vez, autorizou os EUA a utilizarem as bases militares portuguesas nos Açores, enquanto a Itália tem buscado fortalecer o apoio de defesa aos países do Golfo, além de criticar a “repressão” do Irã contra a população civil.

O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, destaca que a Europa, ao classificar o governo iraniano como criminoso em meio à guerra, já tomou um lado. Ele também observou que França, Alemanha e Reino Unido, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, não convocaram nenhuma reunião para discutir o conflito, atendendo à posição americana de evitar a discussão nas Nações Unidas.

O especialista ressalta que a posição europeia é preocupante, pois o ataque contra o Irã ocorreu durante negociações com os Estados Unidos.

Em resposta ao apoio europeu, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que navios dos EUA, Israel e países europeus não devem cruzar o Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio mundial de petróleo.

O professor Chico Texeira, também da UFRJ, sugere que os países europeus estão tentando barganhar com Washington, “às custas do Irã”, em meio às ameaças de Trump de tomar a Groenlândia. Ele acredita que a União Europeia tenta demonstrar ser uma aliada valiosa, apoiando Israel para evitar que os EUA tomem a Groenlândia ou desmantelem a OTAN.

Em contraste, o governo espanhol de Pedro Sánchez tem criticado a guerra, defendendo o direito internacional e a paz. “A questão, no entanto, é se estamos ou não do lado do direito internacional e, portanto, da paz”, afirmou Sánchez. A posição espanhola irritou Trump, que ameaçou cortar relações comerciais com Madri, mas o governo dos EUA recuou posteriormente, informando que a Espanha teria concordado em cooperar com a guerra, o que foi negado “categoricamente” pelo governo espanhol.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, informou que “Portugal foi formalmente instado a conceder autorização para a utilização da base, tendo o governo dado uma autorização condicionada”.

A Itália também não condenou a agressão contra o Irã, mas sim as retaliações de Teerã que atingiram bases dos EUA no Oriente Médio, fornecendo apoio aos países do Golfo para suas defesas. O governo italiano expressou solidariedade à “população civil” iraniana que “corajosamente” exige o respeito a seus direitos “apesar de sofrer repressão violenta e injustificável”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-03/europa-apoia-guerra-dos-eua-e-israel-contra-ira-espanha-diverge

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