Isenção de IR até R$ 5 mil: trabalhadores defendem justiça social e aumento do poder de compra no Senado
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, trabalhadores de diferentes áreas manifestaram suas opiniões sobre o projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados, que visa isentar do Imposto de Renda (IR) pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil. A proposta do governo federal busca compensar a perda de receita através da instituição de uma alíquota de 10% do IR para contribuintes com rendimento tributável acima de R$ 600 mil por ano, impactando cerca de 141,4 mil pessoas físicas de alta renda que atualmente recolhem, em média, 2,5% de IR sobre seus rendimentos totais.
O texto prevê, ainda, uma redução gradual do imposto para rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350, sem alterações para quem recebe acima deste valor.
Durante a audiência, o comerciário Tiago Bitencourt Neves argumentou que a atualização da tabela do imposto de renda representa uma questão de justiça social, defendendo que o Brasil precisa de um sistema que tribute o luxo e a especulação financeira. “O Brasil precisa de sistema que taxe o luxo, e não o arroz e o feijão. Que cobre de quem vive de especulação, como os bancos. Que taxe as bets, super-ricos e bilionários”, afirmou.
Jadiel de Araujo Santos, do setor de serviços, reforçou a importância de corrigir a defasagem da tabela, permitindo que milhões de brasileiros paguem o justo, “Isso devolverá dignidade e poder de compra às famílias, com um dinheiro que circulará na economia. Quem ganha até R$ 5 mil não é privilegiado, é quem faz o país ficar de pé. É reconhecer o esforço de quem move o país”, complementou.
Juliano Rodrigues Braga, bancário, enfatizou o impacto positivo da isenção em seu orçamento, estimando uma economia de R$ 2,5 mil por ano, dinheiro que será reinvestido na economia. Jadiel Santos também adicionou, “E capacidade contributiva, neste país, é dizer que quem ganha menos deve pagar menos; e quem ganha mais deve pagar mais. Vale uma observação. Quem ganha mais neste país, via de regra, são aquelas pessoas que, quase inequivocadamente, ganham por meio do suor e do sacrifício humano alheio, a exemplo dos bancos que adoecem seus trabalhadores com metas abusivas; das bets que retiram dinheiro do pai e da mãe de família; e dos investidores da Faria Lima”.
Silvia Letícia Alves Mattar, gerente de posto de combustíveis com salário médio de R$ 3,8 mil, projeta um aumento de R$ 200 em seu poder de compra mensal, equivalente a um “14º salário”. Zacarias Assunção, do setor de alimentação, criticou a injustiça de quem ganha pouco pagar mais impostos.
Claudionor Vieira do Nascimento, metalúrgico, informou que 68% dos trabalhadores de sua categoria no ABC serão beneficiados com a medida, expressando desapontamento com parlamentares que associam o projeto a aumento de impostos. Ele questionou ainda “Por que os mais de R$ 800 bilhões em isenção para as empresas desse país não são comentados e não incomodam a maioria dos parlamentares brasileiros?”.
Willian Ferreira Da Silva, frentista, defendeu a redução da jornada de trabalho como forma de justiça social, e José Evandro Alves da Silva, do setor químico, conclamou a sociedade a se mobilizar em defesa de novas conquistas, “Temos de ir novamente às ruas, como fizemos recentemente”, disse.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/senado-ouve-trabalhadores-sobre-aumento-da-faixa-de-isencao-do-ir
