Amamentação: SMAM 2026 reforça políticas e avanços no Brasil

Semana Mundial do Aleitamento Materno marca início do Agosto Dourado

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A mobilização nacional em prol do aleitamento materno ganha destaque neste Agosto Dourado, com a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) de 2026 abordando o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”. A iniciativa, orientada pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), ressalta a importância vital da amamentação para o desenvolvimento infantil e a saúde pública, ecoando em cada lar goiano a necessidade de proteger e apoiar essa prática essencial. O Ministério da Saúde reforça que o aleitamento é crucial para a nutrição adequada, a segurança alimentar e a redução da pobreza no país, aspectos que impactam diretamente as famílias em Goiás.

A realidade da dona de casa Lorrany Duarte, mãe pela segunda vez da pequena Elisa, nascida há uma semana, ilustra a relevância do tema. Moradora de Taguatinga, Lorrany busca oferecer amamentação exclusiva e em livre demanda nos primeiros seis meses para a filha, visando o crescimento saudável da criança. “Desenvolve mais a criança e a imunidade fica sem problemas,” ela afirma, motivada pela experiência anterior com a primeira filha, que, aos um mês, passou a ser alimentada com fórmula infantil e, segundo Lorrany, “sempre foi muito debilitada, passava mal, sempre ficava doente e demorou muito tempo para crescer, para se desenvolver”. Para superar as dificuldades iniciais, Lorrany tem contado com o apoio da irmã Marielly Duarte, mãe de três crianças. Marielly incentiva a irmã a persistir, destacando a evolução: “Eu já tirei um monte de leite dela na bomba [de sugar o leite]. É melhor do que tirar na mão. Agora, uma semana depois, já está saindo rapidinho. Tornou-se mais fácil”.

Opostos: Amamentação e Fórmulas Infantis

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de sua presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno (DCAM-SBP), Rossiclei Pinheiro, alerta para os obstáculos enfrentados pela amamentação, como a desinformação e o assédio comercial da indústria de fórmulas infantis. “O que a gente percebe é que há um marketing muito grande dizendo que essas fórmulas substituem o leite materno, e não substituem. […] É o lobby na porta do hospital, nas redes sociais, nos consultórios, nas datas festivas. Essas indústrias de alimentos tentam de várias formas fazer um assédio ao profissional de saúde”, constata a especialista. Ela enfatiza que a fórmula é segura e necessária apenas sob recomendação médica, em situações específicas como contraindicação para a mãe amamentar, falha no processo de aleitamento ou alergias do bebê. “Só quem pode prescrever fórmula infantil até um ano de idade é um médico, de preferência um pediatra ou nutricionista. Só que a mãe chega, hoje, em uma farmácia e compra a fórmula que quiserem, que qualquer profissional prescreve.”

No Brasil, a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), amparada pela Lei 11.265/2006, visa coibir essas práticas. A legislação proíbe patrocínios a médicos, impede a propaganda de mamadeiras, bicos artificiais e chupetas, e veda a distribuição desses produtos a recém-nascidos de alto risco. Também determina que as embalagens não induzam à dúvida sobre a capacidade materna de amamentar. A SBP desestimula o uso de bicos artificiais, que podem causar “confusão de bicos”, menor estímulo à produção de leite e desmame precoce. “Nós desestimulamos o uso de bicos que possam competir com a amamentação, que são as chupetas e as mamadeiras”, destaca a Dra. Rossiclei Pinheiro.

Avanços e Impactos Sociais para Goiás

A promoção do aleitamento materno, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), oferece benefícios socioeconômicos substanciais, diretamente aplicáveis às famílias goianas. A Dra. Rossiclei Pinheiro lista que “a família tem uma redução dos custos financeiros, visto que não vai precisar comprar fórmulas nem medicamentos, já que esse bebê vai ficar menos doente, e também vai ter menos ausência ao trabalho. Por fim, a mãe vai conseguir se programar melhor na vida futura para seu retorno ao trabalho, já que o filho dela vai estar mais saudável.”

O Brasil tem um histórico de avanços significativos no aleitamento. Os dados do Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani), coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostram um salto de 4,7% de aleitamento exclusivo na década de 1980 para 45,8% em 2019. Em 2024, o país assumiu o compromisso de alcançar 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030, uma meta ambiciosa que supera os 60% estabelecidos pela Assembleia Mundial da Saúde. A rede de saúde em Goiás, em seus hospitais e unidades básicas, desempenha um papel fundamental na sustentação dessas políticas públicas. A representante da SBP destaca que “nossas políticas públicas estão interligadas com todo o contexto do atendimento da criança. Hoje, por exemplo, o aleitamento materno é uma estratégia de saúde pública para diminuir a mortalidade infantil, a mortalidade materna, diminuir a desigualdade social. Todo esse acesso a informações é uma política pública.” O contínuo fortalecimento das estratégias de proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno é vital para assegurar um começo de vida saudável e sustentável para as crianças em Goiás e em todo o Brasil.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/semana-mundial-do-aleitamento-materno-marca-inicio-do-agosto-dourado

Redação Extra News Goiás
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