Empresários da indústria querem redução de impostos e reforma tributária no Brasil
© José Cruz/Agência Brasil
Executivos do setor industrial brasileiro colocam as políticas fiscais e tributárias no topo das prioridades para o próximo ciclo presidencial, que se estende de 2027 a 2030. Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em colaboração com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, revela que a agenda econômica, focada na redução de impostos, consolidação da reforma tributária e manutenção do equilíbrio fiscal, supera as demandas por incentivos diretos à produção como principal pauta do setor. Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira (22).
O levantamento, que traça um panorama das expectativas da indústria nacional, entrevistou 1.003 líderes empresariais de companhias de pequeno, médio e grande porte, distribuídas por todas as regiões do país. A coleta de dados ocorreu entre os dias 7 de maio e 5 de junho, evidenciando uma forte inclinação dos executivos industriais para temas de natureza mais monetarista em detrimento de abordagens tradicionalmente focadas no fomento direto à indústria, refletindo uma preocupação latente com a macroeconomia.
### O Clamor por Políticas Fiscais e Tributárias
Para a gestão federal futura, os empresários apontaram, em sua maioria, medidas que impactam diretamente o custo de operação e a previsibilidade econômica. A redução de impostos e a consolidação de uma reforma tributária eficaz foram escolhidas por 29% dos participantes como prioridades inegociáveis. Outros 22% destacaram a necessidade de equilíbrio fiscal e uma melhoria substancial na gestão pública, enquanto 21% do universo pesquisado indicaram o incentivo à indústria e à produção como a pauta mais urgente para o país.
A Confederação Nacional da Indústria, por meio de seu presidente, Ricardo Alban, reforçou a importância de uma coordenação eficiente entre as esferas econômicas do governo. Em nota, Alban sublinhou: “Quando a política fiscal e a política monetária não conversam entre si, as medidas para estimular o desenvolvimento produtivo se tornam menos efetivas. A indústria está pronta para fazer sua parte, mas precisamos de um Estado que escolha induzir o investimento produtivo, um Estado que planeje o desenvolvimento, fortaleça a produção e abra caminho para um Brasil mais próspero, inovador e de renda mais alta.”
### O Custo Brasil no Radar das Empresas
Além das prioridades para o Executivo federal, a pesquisa da CNI aprofundou-se nas necessidades imediatas das empresas e nas melhorias esperadas para o ambiente de negócios. Neste segmento, as políticas que visam combater o chamado “custo Brasil” emergiram com clareza. A redução de impostos foi considerada uma prioridade crucial para 45% dos entrevistados, um percentual significativamente maior do que o registrado para a gestão governamental. A redução de juros e a ampliação da oferta de crédito foram igualmente destacadas por 26% dos empresários.
O incentivo à indústria e à produção aparece novamente em terceiro lugar na escala de prioridades diretas para as empresas, com 21% das menções. Quando questionados sobre os maiores desafios enfrentados pelo setor no último ano, os empresários mencionaram a “alta carga tributária”, a “indisponibilidade de mão de obra” e a “taxa de juros elevada” como fatores de alto impacto em suas operações.
### Cenário para Investimentos Futuros
A intenção de investimento do setor industrial para os próximos quatro anos também foi um tópico relevante do levantamento. A maioria dos executivos, 41%, revelou que planeja manter o patamar atual de investimentos em suas operações. Um número expressivo de 28% demonstrou disposição para aumentar o volume de investimentos, sinalizando otimismo cauteloso. Por outro lado, 9% dos respondentes indicaram uma intenção de reduzir seus investimentos, e 20% afirmaram não ter planos de investir no período.
Os resultados completos da pesquisa foram divulgados durante o evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, realizado nesta segunda-feira (22), onde foram apresentados a pré-candidatos. Na ocasião, a CNI aproveitou para defender a revisão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), entre outras propostas, e a implementação de políticas de desvinculação dos mínimos constitucionais em áreas como saúde e educação. Contudo, estas sugestões geraram críticas por parte de entidades de referência nos respectivos setores.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/reducao-de-impostos-e-equilibrio-fiscal-sao-prioridades-aponta-cni

