Advogadas: Câmara aprova aumento de pena e medidas protetivas em Brasília

Comissão da Câmara aprova aumento de pena para crimes contra advogadas que defendem mulheres

Comissão da Câmara aprova aumento de pena para crimes contra advogadas que defendem mulheres

A Câmara dos Deputados deu um passo importante na proteção das advogadas que atuam em casos sensíveis, especialmente na defesa de mulheres vítimas de violência. A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher aprovou um projeto de lei que propõe o aumento de pena para crimes como coação e feminicídio quando a vítima é uma advogada, e a motivação do agressor está ligada à sua condição de mulher ou à sua atuação na representação legal de outra mulher. A medida visa fortalecer a segurança jurídica dessas profissionais e coibir a violência direcionada ao exercício da advocacia feminina.

Novas Penalidades e Amparo Legal para Advogadas

A legislação aprovada estabelece um incremento significativo nas sanções previstas pelo Código Penal. Para o crime de coação no curso do processo, que atualmente prevê pena de um a quatro anos de reclusão e multa, o aumento será de um terço até a metade quando a advogada for alvo por sua condição de mulher ou por defender uma. Similarmente, o feminicídio cometido contra uma advogada por estar defendendo uma mulher terá a pena ampliada em um terço a até a metade, partindo da condenação atual de 20 a 40 anos de prisão.

Além do endurecimento das penas, a proposta promove uma crucial alteração na Lei Maria da Penha. Com a modificação, advogadas que enfrentarem violência ou ameaças durante a defesa de uma mulher terão garantido o direito à concessão de medidas protetivas de urgência. Isso significa que, caso sejam intimidadas pelo agressor de sua cliente ou por seus representantes, as profissionais poderão solicitar imediatamente à Justiça o distanciamento físico obrigatório e a proibição de qualquer contato por parte do acusado, oferecendo uma camada extra de segurança no exercício da função.

Ameaças Frequentes no Exercício Profissional

O colegiado da Câmara chancelou o substitutivo apresentado pela relatora, deputada Jack Rocha (PT-ES), originário do Projeto de Lei 538/24 da deputada Dandara (PT-MG). A relatora realizou ajustes no texto original para alinhá-lo às recentes atualizações do Código Penal introduzidas pela Lei do Feminicídio. A iniciativa legislativa reflete uma preocupante realidade vivenciada por essas profissionais.

Para a deputada Jack Rocha, relatora da proposta, “As frequentes agressões sofridas pelas advogadas podem ser interpretadas como uma estratégia masculina para enfraquecer a defesa judicial. Os agressores acreditam que, se as mulheres que atuam na defesa sentirem-se temerosas, cria-se um obstáculo na proteção da mulher vítima de violência”. A afirmação sublinha a natureza estratégica das agressões contra advogadas.

A justificativa para as novas medidas é corroborada por dados alarmantes. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), através do Grupo de Pesquisa Carmim Feminismo Jurídico, revelou que impressionantes 80% das advogadas já foram alvo de ameaças enquanto defendiam vítimas do sexo feminino. Os casos mais recorrentes de intimidação estão ligados a processos de violência doméstica e direito de família, contextos onde a atuação da advogada é crucial e frequentemente desafiadora.

Próximos Passos da Legislação

Com a aprovação na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, o projeto seguirá agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Após a etapa na CCJ, que avaliará a constitucionalidade e a juridicidade da matéria, a proposta será encaminhada para apreciação no Plenário da Câmara dos Deputados, onde passará pela votação final dos parlamentares antes de seguir para o Senado.

Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA

https://www.rotajuridica.com.br/comissao-da-camara-aprova-aumento-de-pena-para-crimes-contra-advogadas-que-defendem-mulheres/

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