Copom inicia reunião no Brasil para definir a taxa Selic

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© Marcello Casal JrAgência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou nesta terça-feira (16) sua reunião decisiva para determinar o futuro da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano. A deliberação, que se estenderá até quarta-feira (17), ocorre em um momento de acentuada cautela, onde o colegiado deverá ponderar os mais recentes indicadores econômicos nacionais e internacionais para decidir se há margem para um novo corte nos juros ou se a taxa Selic precisará ser mantida em patamares elevados por mais tempo. A decisão sobre a taxa básica de juros tem impacto direto sobre o crédito, os investimentos e o poder de compra de empresas e consumidores em todo o país.

No encontro anterior, realizado em abril, o Copom havia optado por uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, marcando o segundo corte consecutivo. Contudo, a diminuição foi em ritmo mais contido, justificada na ocasião pela persistência de incertezas relacionadas aos desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e por projeções de inflação que indicavam uma elevação prolongada.

Cenário de Cautela e Projeções do Mercado

A ata da última reunião do Copom, divulgada posteriormente, não ofereceu pistas claras sobre os próximos passos na política monetária. O documento salientou o monitoramento constante dos conflitos no Oriente Médio e seus possíveis efeitos inflacionários, ao mesmo tempo em que apontou a permanência de incertezas em relação à política econômica dos Estados Unidos como um fator que contribui para a cautela.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, declarou o texto da ata.

Diante desse panorama de instabilidade e da postura conservadora do Banco Central, o mercado financeiro tem revisado para cima suas estimativas para a Selic. Conforme o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (15), a previsão para o fim de 2026 subiu para 13,5% ao ano, ante os 13,75% projetados na semana anterior.

As expectativas de inflação também refletem o cenário de pressões. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal medidor da inflação no Brasil, teve sua projeção elevada pela décima quarta semana consecutiva, passando de 5,11% para 5,3% para este ano. Esse patamar supera o limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

Jornada de Trabalho em Debate na Câmara

Paralelamente à decisão sobre os juros básicos, o cenário político em Brasília também concentra atenções. Nesta terça-feira, há grande expectativa para a votação do Projeto de Lei (PL) 1838/26 no plenário da Câmara dos Deputados, uma proposta do governo federal que visa extinguir a escala de trabalho 6×1. A apreciação deste PL é fundamental para destravar a pauta de votações da Casa.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma reunião do colégio de líderes para a tarde de ontem (15). O objetivo foi que o relator da matéria, deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA), apresentasse e esclarecesse os principais pontos do texto.

“Convoquei reunião de líderes para amanhã (16), às 14h. Na ocasião, o deputado @leopratesba vai esclarecer pontos do seu parecer sobre o PL que acaba com a escala 6×1, apesar de já termos aprovado a PEC sobre a redução da jornada de trabalho. Com a apreciação da matéria, destravamos a pauta da Casa”, informou Motta em uma rede social.

O projeto de lei, enviado pelo Poder Executivo em abril, estabelece o limite de 40 horas semanais para a jornada de trabalho, dentro da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e oito horas diárias. Além disso, a proposta garante ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Em razão de sua tramitação em regime de urgência, a pauta do plenário da Câmara está bloqueada, permitindo apenas a votação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs), Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) e requerimentos de urgência até que a questão da jornada de trabalho seja resolvida.

Espera-se que o deputado Léo Prates mantenha em seu parecer os pontos já aprovados na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, no final de maio, encerrou a escala 6×1. A referida PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e institui a escala de cinco dias de trabalho por dois de folga (5×2), e atualmente encontra-se em análise no Senado.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/copom-avalia-indicadores-economicos-e-decide-sobre-selic

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