Chuva intensa aciona sirenes e provoca deslizamento na Rocinha, Rio
© Fernando Frazão/Agência Brasil
A comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, enfrenta um dos episódios mais severos de precipitação de sua história recente, com volumes de chuva que superaram em mais do dobro a média esperada para todo o mês de junho. O cenário de emergência, marcado por deslizamentos e o acionamento repetido de sirenes de alerta, impôs desafios significativos à mobilidade e à segurança dos moradores nesta terça-feira, na capital fluminense.
Os pluviômetros do Sistema Alerta Rio, estrategicamente instalados na região, registraram impressionantes 254,6 milímetros (mm) de chuva entre a tarde de segunda-feira (15) e esta terça-feira (16). Este acumulado representa um excedente de 146,1 mm em relação à média histórica mensal de 108,5 mm. Tal intensidade de precipitação fez com que a chuva do início desta semana fosse a terceira mais intensa já observada pelo pluviômetro da Rocinha em 24 horas, desde o início da série histórica em 1997.
Diante do cenário de risco geológico elevado, a Defesa Civil Municipal precisou acionar as sete sirenes da Rocinha pela segunda vez no dia. A ativação ocorreu às 14h07 desta terça-feira, em função do alto risco geológico, após os sistemas de monitoramento registrarem um acumulado de 188,2 mm de chuva nas últimas 24 horas. Pela manhã, entre 7h17 e 11h40, o sistema já havia emitido seu primeiro alerta, evidenciando o impacto contínuo das fortes chuvas, que saturam o solo e elevam drasticamente o perigo de deslizamentos de encostas em toda a área.
Estrada da Gávea Enfrenta Deslizamento e Interdição
Um incidente significativo ocorreu na Estrada da Gávea, dentro da própria Rocinha, nas proximidades da Rua Portão Vermelho, onde o rompimento de uma tubulação da concessionária Águas do Rio provocou um deslizamento de terra na noite anterior. O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) permanece monitorando de perto o trabalho das equipes municipais. A via, que chegou a ser completamente bloqueada, opera agora com uma faixa ocupada, permitindo que a Defesa Civil e a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) prossigam com os esforços de desobstrução e avaliação. Felizmente, não houve registro de vítimas.
Para remediar os danos, a Fundação Geo-Rio já está encarregada de realizar os levantamentos técnicos necessários para a futura obra de contenção, que incluirá a implementação de um sistema de drenagem. A Comlurb, por sua vez, agiu rapidamente na remoção de cerca de 70 toneladas de terra e detritos da encosta, contando com o apoio de 15 caminhões, três pás carregadeiras e um contingente de 50 garis.
Precipitação Afeta Outras Zonas da Capital
A intensidade das chuvas na capital fluminense não se limitou à Rocinha. Outros cinco bairros da Zona Sul também registraram volumes de precipitação consideráveis nas últimas horas, com destaque para Jardim Botânico, Laranjeiras, Vidigal, Urca e Copacabana, onde a Defesa Civil também segue em alerta. Além disso, a Zona Norte da cidade também vivenciou um deslizamento de terra na Rua São Sebastião, na comunidade do Salgueiro, na Tijuca. Contudo, neste local, o incidente não causou danos a imóveis nem exigiu a interdição de vias, diferentemente da situação crítica na Rocinha.
Orientações da Prefeitura para Segurança em Tempos de Chuva
Em meio à instabilidade climática, a Prefeitura do Rio de Janeiro reforça a importância da cautela e emitiu uma série de orientações essenciais para a população. A principal delas é evitar deslocamentos desnecessários em áreas já impactadas pela chuva ou sujeitas a alagamentos e deslizamentos. Motoristas são alertados a jamais tentar atravessar trechos alagados com seus veículos. Além disso, em cenários de ventos fortes e descargas elétricas, recomenda-se manter distância de árvores e evitar locais descampados.
Moradores devem verificar constantemente suas residências em busca de sinais como rachaduras ou qualquer abalo estrutural. Caso identifiquem tais problemas, o acionamento imediato da Defesa Civil, pelo número 199, é crucial, e a orientação é deixar o imóvel. Para aqueles que residem em áreas de risco, a atenção aos alertas sonoros das sirenes é fundamental: seu acionamento é um indicativo de perigo iminente de deslizamento, e a população deve se dirigir prontamente aos pontos de apoio designados pela Defesa Civil municipal.
Previsão Indica Estabilização Gradual do Tempo
Ainda sob a influência de ventos úmidos vindos do oceano, a quarta-feira (17) e a quinta-feira (18) no Rio de Janeiro devem apresentar nebulosidade variada, com expectativa de chuva fraca e isolada, a qualquer momento, estendendo-se até as primeiras horas da manhã de quinta. Os ventos se manterão de fracos a moderados. Contudo, uma mudança no padrão atmosférico é esperada para a sexta-feira (19), com a chegada de um sistema de alta pressão. Isso resultará em redução da nebulosidade e na ausência de previsão de chuva, com ventos moderados, indicando uma melhora nas condições climáticas na cidade.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-06/chuva-na-rocinha-superou-em-mais-que-duas-vezes-media-de-junho

