Lula vai ao G7 na França em meio a tensões com EUA e veto da UE
© Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia neste domingo (13) uma jornada diplomática de alta relevância na França, marcando sua décima presença na Cúpula do G7, fórum que reúne as sete maiores economias industrializadas do planeta. Em Évian-les-Bains, o líder brasileiro, convidado para o evento, enfrentará uma pauta complexa, buscando mediar impasses comerciais e fortalecer a voz do país em discussões globais críticas em um cenário de crescentes tensões internacionais.
O encontro, agendado de 15 a 17 de junho e presidido este ano pela França, congrega Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão como membros plenos, além da União Europeia como integrante institucional. A presença de Lula na Cúpula do G7 ocorre em um cenário de intensas negociações bilaterais, com Brasília empenhada em resolver pendências significativas com parceiros comerciais chave e em defender uma nova governança global.
### Diálogo Tênue com os Estados Unidos
Um dos pontos de maior atenção na agenda do presidente é o aguardado — mas ainda incerto — encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A relação bilateral atravessa um novo período de fricção, impulsionado pela recente indicação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma taxação de 25% sobre diversas importações brasileiras.
Essa medida é o desfecho de uma investigação de um ano do governo Trump, que acusa o Brasil de “práticas desleais” no comércio. Entre as justificativas mais polêmicas, o relatório do USTR alega que o sistema de pagamentos Pix “prejudica injustamente” empresas norte-americanas de serviços de pagamento eletrônico, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay.
Apesar de uma reunião anterior entre Lula e Trump ter ocorrido na Casa Branca em Washington há pouco mais de um mês, em maio, onde equipes foram instruídas a buscar uma solução para o impasse tarifário, nenhuma proposta efetiva foi apresentada até o momento. A confirmação de um novo encontro bilateral entre os presidentes na Cúpula do G7 ainda não ocorreu.
Em entrevista concedida nesta quarta-feira (10), o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), comentou sobre a situação: “Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”.
Outro elemento que adiciona complexidade à relação é a recente decisão do governo norte-americano de designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). Brasília vinha trabalhando nos últimos meses para evitar essa designação, temendo que ela pudesse abrir precedentes para ações militares ou sanções econômicas e financeiras severas dos EUA no Brasil.
### Impasse da Carne com a União Europeia
A pauta europeia também reserva desafios para a diplomacia brasileira na Cúpula do G7. Há uma semana, a União Europeia oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil, com entrada em vigor prevista para 3 de setembro. A decisão, que exclui o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para o bloco, foi confirmada em documento publicado no Diário Oficial em 5 de junho, menos de um mês após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Assim como no caso dos Estados Unidos, não há confirmação de um encontro bilateral entre o presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante o evento. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough expressou a visão brasileira sobre o tema: “Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões”.
### Agenda Promissora com o Japão
Em contraponto às tensões, a agenda de Lula na Cúpula do G7 inclui um encontro bilateral já confirmado com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Assumindo o cargo em outubro de 2025 e fazendo história como a primeira mulher a liderar o Executivo japonês, Sanae Takaichi terá sua primeira reunião oficial com o presidente brasileiro, com expectativa de discussões sobre um futuro acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, bloco do qual o Brasil é membro, ao lado de Argentina, Paraguai e Uruguai.
### O Papel do Brasil nas Discussões do G7
Além das reuniões bilaterais, o Itamaraty confirmou a participação de Lula em três sessões deliberativas durante a Cúpula do G7. No dia 16, o presidente discursará em uma sessão de líderes sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, com foco na ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), também conhecida pela sigla em inglês ODA, que representa os repasses financeiros de países industrializados para nações em desenvolvimento.
Em outra sessão de líderes, em 17 de junho, Lula abordará o crescimento econômico equilibrado, defendendo a necessidade urgente de reforma da governança global, com ênfase em instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU). No mesmo dia, a comitiva brasileira participará de um almoço cujo tema central será a Inteligência Artificial (IA).
Além do Brasil, a França, país anfitrião do encontro, estendeu convites a líderes de outras nações estratégicas, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Um provável encontro bilateral aguardado é entre Lula e o presidente francês Emmanuel Macron.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-06/lula-no-g7-gera-expectativa-por-tarifa-dos-eua-e-veto-carne-pela-ue

