Vacinação Pneumo 20 para crianças começa em junho nas UBS do Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil
O Brasil dará um salto significativo em sua estratégia de saúde pública a partir da segunda quinzena de junho, com a introdução da vacina Pneumo 20 no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de até 5 anos. O novo imunizante, anunciado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visa ampliar drasticamente a proteção contra a doença pneumocócica, um dos maiores flagelos da saúde infantil global, em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país.
A vacina Pneumo 20, que se torna o quarto imunobiológico adicionado ao calendário infantil do SUS na gestão atual, representa um avanço crucial. Diferentemente da versão anterior, este imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, o temido pneumococo, que é a principal origem de enfermidades severas como pneumonia e meningite. Essas condições, frequentemente associadas a hospitalizações prolongadas, sequelas graves e, tragicamente, óbitos, são um desafio constante para a saúde pública.
A ameaça do pneumococo é global. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica figura como a principal causa de mortalidade infantil por enfermidades passíveis de prevenção. A bactéria não só desencadeia quadros leves, como infecções de ouvido ou sinusites, mas também culmina em doenças invasivas como pneumonia bacteriana, meningite e sepse. Estudos indicam que o pneumococo está por trás de até metade dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 30%. Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também se mostram mais vulneráveis.
No Brasil, o cenário epidemiológico sublinha a urgência da nova medida. Entre 2023 e 2025, o país contabilizou 4,6 mil ocorrências de meningite pneumocócica e 1,4 mil falecimentos em todo o território nacional. Destes, 616 casos e 188 mortes foram registrados entre crianças com menos de cinco anos, a faixa etária prioritária para a vacinação. A Pneumo 20 amplia significativamente o espectro de defesa imunológica, combatendo especialmente os sorotipos 3, 6A e 19A, que são notórios por causar pneumonia invasiva, e também oferecendo proteção contra a otite média, que pode resultar em perda auditiva ou infecções generalizadas fatais. Na rede privada, onde o imunizante já está disponível desde o ano passado, o custo de cada dose pode ultrapassar R$ 500.
A expectativa é que a imunização com a Pneumo 20 se inicie de forma escalonada a partir da segunda quinzena de junho, tão logo as doses cheguem aos municípios. “Nós já tomamos todos os passos necessários, inclusive nota técnica, começar a distribuição para os estados e municípios, para que já nesse mês de junho, na expectativa, estamos chamando para o começo da segunda quinzena de junho, provavelmente a partir de quinze de junho, a vacina Pneumo 20 para as crianças”, assegurou o ministro Alexandre Padilha.
Este novo imunizante, conhecido tecnicamente como vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), substituirá gradualmente a versão 10-valente (VPC10), dobrando o número de sorotipos contra os quais as crianças estarão protegidas. A pasta da Saúde já deu início à distribuição inicial de 514 mil doses do novo imunobiológico, e a previsão é que mais de 6,1 milhões de doses sejam disponibilizadas ao longo de 2024, garantindo a cobertura em todo o território nacional.
Um Avanço no Combate ao Pneumococo e o Cenário Recente
A inclusão da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10) no calendário básico de imunização infantil em 2010 marcou um período de conquistas significativas. Nos anos seguintes, registrou-se uma notável redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva em crianças de até dois anos, e uma queda de 65% nos casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária, atribuída diretamente à proteção contra os 10 sorotipos abrangidos pela VPC10.
Contudo, os últimos anos indicam uma escalada preocupante. Após um período de controle, a média anual de casos de meningite pneumocócica em crianças menores de 5 anos saltou de 164 entre 2013 e 2019 para alarmantes 211,3 entre 2022 e 2024. Análises de vigilância do Ministério da Saúde revelam que quase 40% dos quadros graves, com amostras coletadas entre 2018 e 2023, foram provocados por dois sorotipos específicos da bactéria que não eram contemplados pela VPC10, mas que agora fazem parte da formulação expandida da vacina Pneumo 20.
Esquema de Imunização com a Vacina Pneumo 20 e Grupos Prioritários
A nova vacina Pneumo 20 será incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para grupos específicos, visando maximizar o impacto na saúde pública. Os elegíveis para receber este imunizante são: crianças com idade inferior a 5 anos; povos indígenas acima dos 5 anos que não possuam histórico de vacinação com a pneumocócica conjugada; idosos com 60 anos ou mais em situação de acamados ou institucionalizados; e indivíduos com condições clínicas especiais, cujas necessidades são atendidas pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Durante a fase de transição para a completa adoção da Pneumo 20, o Ministério da Saúde estabeleceu um esquema vacinal misto para as crianças. Este modelo prevê a aplicação de uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses de vida, seguida por uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses. Um reforço com a Pneumo 20 será administrado aos 12 meses de idade, respeitando um intervalo mínimo de 60 dias após a segunda dose. Outras vacinas, como a VPC13 e a VPP23, terão seu uso direcionado em estratégias específicas até que seus estoques sejam completamente utilizados.
Essa abordagem de transição com a vacina pneumocócica será mantida até que todas as doses da Pneumo 10 sejam esgotadas. A partir de então, o esquema vacinal passará a ser exclusivamente com a Pneumo 20. Para facilitar o acompanhamento e garantir a transparência do histórico de vacinação, pais, mães e responsáveis podem consultar as informações em tempo real pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.
Recuperação das Coberturas Vacinais e a Luta contra o Negacionismo
A introdução da vacina Pneumo 20 insere-se em um contexto de notável recuperação do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde conseguiu reverter a preocupante queda nas coberturas vacinais infantis que se arrastava até 2022, alcançando um progresso significativo em diversas frentes.
Especificamente na imunização contra as doenças pneumocócicas, os índices de cobertura do esquema básico refletem essa ascensão: partindo de 90,01% em 2023, os números avançaram para 93,22% em 2024 e atingiram 93,45% em 2025. Para o ano de 2026, a cobertura parcial acumulada até o momento já figura em 86,33%, demonstrando um engajamento contínuo em proteger a população.
O ministro Alexandre Padilha ressaltou o empenho do governo em fortalecer a confiança na ciência e nas políticas de saúde: “Nós estamos com muita luta vencendo o negacionismo, vencendo a turma antivacina, recuperando a credibilidade do nosso Programa Nacional de Imunização”, afirmou Padilha, ao detalhar a nova estratégia de vacinação com a Pneumo 20, reforçando a importância da adesão da população ao calendário vacinal.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-06/vacinacao-com-pneumo-20-pelo-sus-comeca-em-duas-semanas-diz-padilha

