MPGO de Goiás lança Nêmesis para investigar exploração sexual infantil online

MPGO lança ferramenta para reforçar investigações de crimes sexuais virtuais contra menores

MPGO lança ferramenta para reforçar investigações de crimes sexuais virtuais contra menores

Em uma iniciativa que promete elevar o nível de combate à exploração sexual infantil no ambiente digital, o Ministério Público de Goiás (MPGO) introduziu recentemente uma poderosa ferramenta tecnológica: o Nêmesis. Lançado durante a campanha Maio Laranja, dedicada à conscientização contra o abuso e a exploração de crianças e adolescentes, o software surge como um aliado estratégico para as investigações de crimes sexuais praticados na internet, oferecendo suporte crucial na identificação e coleta de provas.

A criação do Nêmesis resultou de uma colaboração entre a Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e o CyberGaeco, contando ainda com o apoio da Área da Infância e Juventude do Centro de Apoio Operacional (CAO Infância) do MPGO. Sua concepção visou aprimorar substancialmente a capacidade de detecção, coleta e registro de evidências em casos de exploração sexual infantil que ocorrem no vasto universo da internet.

Resposta Direta aos Desafios da Investigação Digital

Durante o webinar de apresentação da ferramenta, a promotora de Justiça Gabriella de Queiroz Clementino, coordenadora-geral do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explicou que a ideia para o projeto Nêmesis nasceu das dificuldades práticas enfrentadas pelo órgão em suas apurações. O desenvolvimento começou na CSI, obteve suporte institucional e foi integrado ao CyberGaeco, culminando na finalização do sistema. Ela sublinhou a importância do Nêmesis ao afirmar:

“A ferramenta surgiu para resolver um problema concreto, com o objetivo de ampliar a identificação, a coleta e a documentação da materialidade delitiva em crimes que demandam atuação investigativa mais eficiente.”

Gabriella Clementino destacou ainda a intenção de compartilhar a inovação com outras entidades. “Não queremos que ela fique restrita. A ideia é disponibilizá-la para outros Ministérios Públicos, polícias e demais órgãos parceiros, nacionais e internacionais, somando esforços para ampliar os resultados no combate à exploração sexual infantil”, enfatizou.

Prioridade Institucional Frente aos Riscos Virtuais

O promotor de Justiça Pedro de Mello Florentino, que coordena a Área da Infância e Juventude do MPGO, ressaltou que a chegada do Nêmesis ocorre em um período de crescimento acentuado dos perigos que crianças e adolescentes enfrentam no espaço digital.

“A violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente virtual representa um grande desafio”, disse ele. Para Florentino, o enfrentamento desse cenário exige uma cooperação intensa entre as famílias, as plataformas digitais e os órgãos de investigação. “Da mesma forma que pais e mães precisam saber para onde filhas e filhos vão, também precisam saber quais redes sociais acessam, com quem conversam e o que fazem no ambiente virtual”, observou.

Florentino também apontou que o lançamento do Nêmesis sinaliza uma mudança na prioridade que o MPGO confere ao tema. “Além do avanço tecnológico, essa ferramenta representa a prioridade que a defesa dos direitos de crianças e adolescentes passou a ter dentro da instituição”, acrescentou.

Nêmesis: Potencializando a Atuação dos Investigadores

A demonstração técnica do Nêmesis foi conduzida por Fabrício Lamas Borges da Silva, promotor de Justiça e coordenador do CyberGaeco, e por Luiz Gustavo Santos Veríssimo, agente da Polícia Civil e membro da equipe que desenvolveu o sistema. Fabrício Lamas informou que a ferramenta foi concebida por um time enxuto, mas focado em oferecer respostas céleres aos casos de crimes digitais.

“A ferramenta foi desenvolvida para fortalecer esse enfrentamento, buscando ampliar nossa capacidade de resposta”, afirmou.

Os idealizadores do projeto esclareceram que o Nêmesis foi planejado para operar em conjunto com outras bases de dados e metodologias já empregadas pelos órgãos de persecução penal. O sistema não substitui a análise especializada das equipes de investigação.

“A tecnologia entra para potencializar a atuação dos investigadores, não para automatizar decisões”, destacou Fabrício Lamas.

Membros do CyberGaeco também alertaram para a contínua necessidade de atualização, dada a rápida evolução dos crimes digitais, especialmente em redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos online, frequentemente usados para aliciamento e distribuição de material ilícito. O MPGO informou que o Nêmesis será apresentado em nível nacional durante o V Encontro Técnico Nacional de Forense Digital dos Ministérios Públicos Brasileiros, que ocorrerá no Forensics Meeting 2026. A instituição planeja disponibilizar a ferramenta, através de termos de cooperação técnica, para os Ministérios Públicos estaduais de todo o Brasil, seguindo o modelo do sistema Materializador de Evidências Digitais e Informáticas (MEDI), que já conta com mais de 20 convênios de uso coletivo.

Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA

https://www.rotajuridica.com.br/mpgo-lanca-ferramenta-para-reforcar-investigacoes-de-crimes-sexuais-virtuais-contra-menores/

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