Juiz usa intérprete de Libras para atender presos surdos em Aparecida de Goiânia
Intérprete de Libras acompanha juiz em inspeção em presídio para atendimento de custodiados surdos
Em um passo significativo para a garantia de direitos dentro do sistema carcerário, uma inspeção judicial no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, ocorrida nesta quarta-feira (13), rompeu barreiras de comunicação ao viabilizar, pela primeira vez, o diálogo direto com dois custodiados portadores de deficiência auditiva. A ação, conduzida pelo juiz Fernando Oliveira Samuel, da 1ª Vara de Execução Penal da Comarca de Goiânia, foi marcada pela presença inédita de um intérprete de Libras, assegurando voz e dignidade aos reeducandos.
Inclusão e Diálogo Ampliado no Sistema Prisional Goiano
A mobilização para a inclusão desses indivíduos partiu de uma solicitação direta do magistrado à Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). O profissional designado para a tarefa foi José Gabriel Antunes Assis, intérprete de Libras da comarca de Jataí, cuja atuação foi fundamental para o sucesso da interação.
O juiz Fernando Samuel explicou que a necessidade de um intérprete surgiu durante uma visita anterior à unidade. “Um dos aspectos que trabalhamos na inspeção é ouvir o reeducando diretamente. Na visita do mês anterior, identifiquei dois custodiados com deficiência auditiva e acionei a Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJGO, que disponibilizou intérprete de Libras para viabilizar o atendimento”, detalhou.
Durante as conversas, um dos detentos expressou as dificuldades diárias enfrentadas no ambiente prisional, com um foco especial nos impedimentos à participação nas atividades educacionais. “Muitas vezes queremos participar das atividades da escola, mas esbarramos nas dificuldades de comunicação por causa da nossa limitação”, relatou.
Para o magistrado, a presença do intérprete de Libras reforça o compromisso institucional com a acessibilidade e o tratamento humanizado. “O Tribunal demonstra compromisso em garantir que os apenados tenham seus direitos de acessibilidade assegurados e sejam atendidos com dignidade”, sublinhou Samuel, enfatizando o empenho em assegurar que todos os detentos sejam ouvidos de forma efetiva.
Investimento em Educação e Estrutura no Complexo Prisional
Além da iniciativa de acessibilidade, a mesma inspeção marcou um avanço na infraestrutura educacional do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O juiz Fernando Samuel oficializou a entrega de mobiliário novo para as salas de aula e para o arquivo do Colégio Estadual Dona Lourdes Estivalete Teixeira, instituição de ensino que funciona dentro da penitenciária.
Os recursos para a aquisição desses móveis foram oriundos de prestações pecuniárias, administradas pela Vara de Execução Penal por meio de um edital específico. Essa ação integra um esforço contínuo de investimento no local. O magistrado destacou que, atualmente, oito projetos no complexo são custeados com verbas provenientes de prestações pecuniárias.
A valorização do ensino como pilar da ressocialização foi reiterada pelo juiz. “A educação é a ferramenta mais poderosa para transformar vidas e para a ressocialização das pessoas privadas de liberdade”, afirmou.
Rosiney Aparecida Gonçalves, diretora do colégio, expressou sua gratidão ao Tribunal de Justiça de Goiás e à Vara de Execução Penal pelo suporte contínuo à escola. Ela informou que a unidade educacional, que completa 28 anos de funcionamento, atende um contingente de mais de 1,6 mil alunos, distribuídos nos períodos matutino, vespertino e noturno, por todo o Complexo Prisional.
Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA
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