Otorrinolaringologistas orientam sobre cuidados com a saúde respiratória no frio
© Rovena Rosa/Agência Brasil
A saúde respiratória de milhares de brasileiros encontra-se sob alerta em períodos de instabilidade térmica, quando variações bruscas de temperatura podem fragilizar as defesas naturais do organismo, abrindo caminho para o aumento de infecções e crises. A constatação é de especialistas como o otorrinolaringologista Luciano Gregório, diretor da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), que aponta para um impacto direto na fisiologia do sistema respiratório, intensificando a frequência de quadros como rinite e sinusite.
### Vulnerabilidade das Vias Aéreas em Tempos de Oscilação
As flutuações no clima não apenas causam desconforto, mas efetivamente comprometem a capacidade de defesa do corpo. Dr. Gregório explica o mecanismo: “É como se a defesa tivesse uma abertura de alguma maneira danificada, então alguns patógenos virais se aproveitam e podem infeccionar o nosso nariz.” Esta vulnerabilidade é particularmente acentuada em indivíduos com rinite não alérgica, que sentem o nariz entupir com mudanças de temperatura, cheiro de fumaça ou perfume.
O especialista ressalta que a instabilidade térmica não se limita a enfraquecer as defesas; ela também pode alterar impulsos nervosos, resultando diretamente na congestão nasal. Em ambientes fechados, onde o ar é frequentemente mais seco e frio, os sintomas de rinite (inflamação do nariz) e sinusite (inflamação dos seios da face) tendem a piorar significativamente, acentuando a necessidade de cuidados respiratórios.
### O Impacto no Sistema Respiratório e Doenças Comuns
Outro especialista, o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros, corrobora a preocupação. Ele destaca que, em cenários de queda de temperaturas, o nariz enfrenta dificuldades para cumprir sua função primordial de aquecer e umidificar o ar inalado. Essa falha compromete a barreira de defesa natural do sistema respiratório, tornando-o mais suscetível a infecções e inflamações.
Nesse contexto, as doenças respiratórias mais observadas incluem gripes, resfriados, sinusites, crises de rinite alérgica e laringites. Em pessoas com baixa imunidade, a progressão para quadros mais severos é uma preocupação.
### Estratégias Essenciais para a Saúde Nasal
Diante da ameaça das variações climáticas à saúde respiratória, ambos os médicos recomendam uma série de atitudes preventivas. Manter-se hidratado é fundamental, conforme orienta Luciano Gregório: “Manter-se hidratado ajuda de diversas maneiras porque, se você não beber água e ficar desidratado, vai atrapalhar de alguma maneira a saúde nasal”.
A umidificação do ambiente também é um fator positivo para a saúde nasal, embora seja preciso cautela para evitar o excesso de umidade, que pode favorecer o surgimento de mofo e ácaros, criando um novo problema.
Uma das soluções mais eficazes e amplamente recomendadas é a realização de lavagens nasais regulares com soro fisiológico, de uma a quatro vezes ao dia. Dr. Gregório detalha os benefícios: “Isso vai remover os alérgenos, a poeira, pó, vai fluidificar a secreção que está no nariz, vai melhorar a limpeza do nariz, ao mesmo tempo em que vai reduzir também os mediadores inflamatórios do nariz”. Ele aponta a disponibilidade de diversos dispositivos para essa prática, como garrafinhas de compressão e seringas de lavagem, utilizando a solução salina isotônica, o soro fisiológico 0,9%.
Para pacientes com rinite vasomotora, que reage a alterações térmicas com entupimento e congestão, a limpeza com soro e a umidificação do ambiente seco são particularmente benéficas.
### Hidratação Específica para Ambientes Extremos
Em situações de ar extremamente seco, como o encontrado em aeronaves, o diretor da ABORL-CCF sugere o uso de géis de hidratação nasal, disponíveis em farmácias. Ele faz uma distinção importante: “A solução nasal de lavagem remove os fatores inflamatórios, os alérgenos da cavidade do nariz. Limpam mesmo e aumentam a fluidificação da fossa nasal, mas eles não hidratam a narina. Quem vai hidratar é o gel de soro”.
### Prevenção Ampliada e Atenção a Grupos de Risco
Além das recomendações já citadas, o Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros acrescenta outros cuidados indispensáveis para a prevenção de doenças respiratórias em dias mais frios. Ele aconselha evitar ambientes fechados e com aglomeração, locais onde a circulação de vírus respiratórios é notoriamente maior. A manutenção de uma rotina de sono adequada e uma alimentação equilibrada também são cruciais, pois um corpo bem nutrido e descansado reage de forma mais eficaz às variações climáticas e fortalece a imunidade.
Barros destaca a necessidade de atenção redobrada para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas, como rinite, asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que são mais suscetíveis a complicações. Para esses grupos e para qualquer indivíduo, o médico faz um alerta final crucial: “A qualquer sinal de piora, como tosse persistente, chiado no peito ou febre, é fundamental procurar um médico”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/clima-instavel-reduz-defesas-e-pode-agravar-crises-respiratorias
