Flávio Bolsonaro admite contato com banqueiro Daniel Vorcaro por filme de R$ 134 milhões

Flávio Bolsonaro (RJ) usará Lulinha em estratégia contra Lula e INSS

O senador Flávio Bolsonaro, no almoço do LIDE, no hotel Fairmont Copacabana, na praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. - <span class="widget-image__credits"> Eduardo Anizelli - 19.mar.26 - Folhapress </span>

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou ter mantido uma relação de quase um ano com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, período em que buscou um aporte financeiro de R$ 134 milhões para um projeto cinematográfico sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A articulação do apoio financeiro, que culminou em transferências internacionais, veio à tona com uma reportagem do portal The Intercept Brasil nesta quarta-feira (13).

A revelação detalha que o montante expressivo seria destinado à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, cujos recursos teriam sido intermediados por uma empresa de Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos. Este fundo, por sua vez, é gerido por Paulo Calixto, advogado que já atuou em defesa de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador. A produção do longa-metragem estaria em andamento no exterior, com previsão de lançamento ainda para este ano, envolvendo atores e equipes estrangeiras.

Em resposta à publicação, Flávio Bolsonaro emitiu uma nota oficial horas após a divulgação da matéria, na qual admitiu o pedido de recursos e o contato com o banqueiro, qualificando a situação como um assunto de esfera privada. “É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, declarou o parlamentar.

O pré-candidato à Presidência da República também foi categórico ao refutar qualquer insinuação de contrapartida ilícita na negociação com o empresário. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”, acrescentou em sua manifestação. Posteriormente, um vídeo com o senador reiterando os mesmos pontos começou a circular, onde ele mencionou que Vorcaro não teria cumprido as parcelas pendentes e confirmou a existência de um contrato formal para os repasses prometidos para o filme de Jair Bolsonaro.

Áudio que revela preocupação com o filme

A reportagem investigativa do Intercept Brasil também divulgou um trecho de áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, no qual ele expressa a importância do projeto cinematográfico e a urgência do envio das verbas para quitar pagamentos atrasados. “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador na mensagem destinada a Daniel Vorcaro, ressaltando a pressão para a conclusão do patrocínio privado.

A reviravolta na vida do banqueiro

As últimas interações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, conforme o portal de notícias, ocorreram no início de novembro do ano passado, um período que se mostraria crucial para o Banco Master e seu então controlador. Pouco mais de uma semana após essas conversas, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira, e Daniel Vorcaro foi detido pela Polícia Federal (PF). A prisão se deu no contexto de uma operação que investiga esquemas de fraudes financeiras.

Atualmente, o banqueiro está sob custódia na Superintendência da PF em Brasília, onde, segundo informações, negocia um possível acordo de delação premiada com as autoridades. A cronologia dos eventos levanta questionamentos sobre a percepção de risco e o conhecimento sobre a situação financeira do banqueiro Daniel Vorcaro por parte dos envolvidos na busca pelo patrocínio para o filme.

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