São Paulo: Movimentos protestam pelo fim da escala 6×1 e contra feminicídio
© Letycia Treitero Kawada/Agência Brasil
São Paulo vivenciou uma mobilização marcante nesta sexta-feira (1º), quando centrais sindicais e diversos movimentos sociais tomaram a Praça Roosevelt para vocalizar duas pautas cruciais: a urgência na aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional e a implementação de medidas robustas para combater o feminicídio no país. O ato reuniu cidadãos que, com cartazes e camisetas, manifestaram veementes críticas à atuação de parlamentares e ao cenário de precarização laboral e violência de gênero.
Fim da Escala 6×1 e o Combate à Pejotização
A luta pela garantia de direitos trabalhistas fundamentais esteve no centro das reivindicações. Os manifestantes enfatizaram a necessidade de reverter a crescente “pejotização”, modalidade de contratação que transforma funcionários em Pessoas Jurídicas (PJ), frequentemente via Microempreendedor Individual (MEI), e que acarreta a perda de garantias como férias remuneradas, 13º salário e auxílio-doença.
Marco Antônio Ferreira, professor da rede pública, destacou que um dos maiores desafios atuais é engajar as novas gerações na defesa das regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “A gente, que é educador, não desiste nunca. Vemos muita gente para quem a ficha já caiu e acho que é luta. Gradativa e organizada, para trazer essa reflexão, ao máximo, para as pessoas enxergarem o mundo que está sendo construído, que não é um mundo melhor”, argumenta Ferreira.
Ele também pontuou como regimes exaustivos, como a escala 6×1, inviabilizam a participação dos trabalhadores em lutas coletivas e na busca por direitos sociais. “Militar, defender seus direitos, correr atrás já é difícil para quem não trabalha em escala 6×1. Nessa escala, é desumano, a pessoa mal consegue cuidar da própria vida. Então, realmente, é uma forma de desorganizar e mesmo de desumanizar”, observou o educador.
Em sintonia com esse clamor por uma vida para além do expediente, o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) tem ganhado adesão no Brasil, confrontando setores empresariais que resistem à redução da jornada e às consequentes mudanças nas relações de trabalho.
Proposta Governamental para a Jornada de 40 Horas
Em resposta a essa demanda por melhores condições de trabalho, o governo federal já encaminhou ao Congresso Nacional, em meados de abril, um projeto de lei com pedido de urgência. A proposta visa instituir uma carga horária semanal de 40 horas, com a prerrogativa expressa de que não haverá corte salarial em decorrência dessa redução da jornada.
A percepção de que o modelo da CLT ainda é o mais desejado pela maioria dos trabalhadores é corroborada por pesquisas. O levantamento “O Trabalho no Brasil”, encomendado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Fundação Perseu Abramo e outras entidades sindicais, revelou que mais da metade (56%) dos trabalhadores do setor privado sem carteira assinada já teve experiência anterior com o regime celetista, e quase dois terços (59,1%) afirmaram que retornariam, sem dúvidas, ao registro em carteira.
A pesquisa da Vox Populi, ao ouvir pessoas fora do mercado de trabalho – incluindo mulheres em atividades de cuidado não remunerado e estudantes –, indicou que 52,2% gostariam de retornar, e desses, 57,1% preferiam fazê-lo com carteira assinada. O estudo também apontou uma confusão comum, onde muitos entrevistados se declaravam empreendedores quando, na verdade, atuavam como PJs em situação de precarização.
A Luta Urgente Contra o Feminicídio no Brasil
Paralelamente à defesa dos direitos trabalhistas, a pauta dos direitos das mulheres e o combate à violência de gênero foram um dos pilares do protesto na Praça Roosevelt. Em um cenário de crescente número de feminicídios e casos de violência contra mulheres em todo o território nacional, a pedagoga Silvana Santana ofereceu uma perspectiva crítica sobre as raízes da misoginia. Ela sugere que a intensificação desse fenômeno pode ser compreendida através da análise de pensadores que denunciam o legado colonialista do Brasil, cujas consequências ainda ecoam na sociedade.
Embora reconheça a relevância das medidas que têm sido adotadas pelo poder público para proteger as mulheres, Santana ressaltou que tais iniciativas, muitas vezes, chegam tardiamente e possuem um alcance limitado. Ela enfatizou a necessidade urgente de tratar mulheres negras como sujeitos plenos de direitos. “O que pensar da violência patrimonial, intelectual, das subjetividades, da negação desses corpos-mulheres? Fico pensando que é necessário um projeto mais ousado, no sentido de emancipação dos afrodescendentes do país”, afirmou a pedagoga.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-05/manifestacao-em-sp-pede-fim-da-escala-6×1-e-acoes-contra-o-feminicidio
