Goiás registra alta de 29,8% em processos de alienação parental
Em 2025, mais de um processo de alienação parental foi aberto por dia no Estado de Goiás
Um recente levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acende um alerta sobre o preocupante crescimento dos processos judiciais relacionados à alienação parental em Goiás. Somente em 2025, o estado contabilizou 388 novas ações, o que equivale a mais de um registro diário e representa um expressivo aumento de 29,8% em relação aos 299 casos registrados em 2024. Desde 2020, quando 172 ocorrências foram documentadas, a escalada chega a impressionantes 125,6%, evidenciando um fenômeno em franca expansão.
Maior Conscientização, mas Subnotificação Persiste
Fernando Félix, advogado especialista em Direito de Família e atuante em casos de alienação parental, interpreta o avanço nos números como um reflexo de uma sociedade mais atenta. “As pessoas estão começando a identificar comportamentos que antes passavam despercebidos ou eram tratados como simples conflito entre ex-casais. Isso é um avanço”, declara o especialista.
Contudo, Félix adverte que, apesar do crescimento nos registros, os dados oficiais ainda não capturam a totalidade do cenário. Segundo ele, a alienação parental permanece em grande parte subnotificada, uma realidade impulsionada por uma combinação de fatores culturais, financeiros e institucionais que dificultam a identificação e o combate eficaz ao problema.
Obstáculos para o Reconhecimento da Alienação Parental
No que tange ao aspecto cultural, o advogado destaca a persistência de uma mentalidade que, por vezes, naturaliza ou minimiza o afastamento de um dos genitores. “Existe um senso comum de que a criança fica bem mesmo sem conviver com um dos pais, o que é um equívoco grave do ponto de vista psicológico e jurídico”, explica, ressaltando o impacto negativo dessa visão.
A barreira financeira representa outro grande desafio. A complexidade das ações de alienação parental frequentemente demanda a atuação de um advogado altamente especializado, além da necessidade de acompanhamento por psicólogos assistentes técnicos, o que eleva substancialmente os custos e restringe o acesso à Justiça para muitas famílias.
Por fim, os entraves institucionais contribuem para a subnotificação. Mesmo aqueles que conseguem superar as dificuldades financeiras e o estigma social enfrentam a incerteza quanto à efetividade da resposta judicial. “A pessoa precisa vencer o estigma, arcar com custos elevados e ainda lidar com a dúvida sobre a efetiva atuação do Judiciário”, resume o especialista.
O Amparo Legal e as Medidas do CNJ
A legislação brasileira, por meio da Lei nº 12.318/2010, oferece um marco importante ao definir alienação parental como qualquer ação que interfira na formação psicológica de uma criança ou adolescente, induzindo-a a rejeitar um dos genitores de forma injustificada.
Visando aprimorar a atuação do sistema de justiça, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, em 2024, um protocolo específico para o depoimento especial de crianças e adolescentes em ações de família. A iniciativa busca padronizar a escuta e reduzir o impacto emocional sobre os menores envolvidos nesses delicados processos.
A Necessidade da Judicialização e Suas Ferramentas
Quando o diálogo familiar se rompe e o conflito se agrava, o caminho do Judiciário torna-se, muitas vezes, inevitável, conforme aponta Fernando Félix. “Não existe solução fora da Justiça quando a alienação já está instalada. O processo é o instrumento”, afirma, sublinhando a importância da intervenção legal.
A legislação prevê um leque de medidas que podem ser aplicadas de forma progressiva para combater a alienação parental. Entre elas, estão advertências, aplicação de multas, ampliação do tempo de convívio com o genitor alienado e, em situações mais extremas e comprovadas, a inversão da guarda da criança. “Com prova consistente e estratégia adequada, é possível obter respostas concretas”, garante o advogado.
As Crianças: Maiores Vítimas da Alienação Parental
O especialista enfatiza que, por trás de cada número e estatística, reside o sofrimento de uma criança, a maior prejudicada por essa forma de violência psicológica. “Por trás dos números, há sempre uma criança — e ela é a maior vítima dessa forma de violência psicológica”, sentencia Félix.
Ele reitera que a alienação parental transcende um mero desentendimento entre adultos, configurando-se como um ato de violência direta contra o desenvolvimento emocional e psicológico do menor. “É uma violência contra a criança. Quanto mais cedo esse fenômeno for reconhecido e combatido, menos casos chegarão ao Judiciário. O interesse da criança deve estar sempre em primeiro lugar”, conclui o advogado, reforçando a urgência de uma abordagem centrada no bem-estar infantil.
Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA
https://www.rotajuridica.com.br/em-2025-mais-de-um-processo-de-alienacao-parental-foi-aberto-por-dia-em-goias/
