Ginecologista é investigado por abusar de 14 pacientes em Goiânia e Senador Canedo
Foto: Divulgação
Um ginecologista é alvo de uma grave investigação em Goiás, acusado por pelo menos 14 pacientes de crimes sexuais durante consultas e exames em Goiânia e Senador Canedo. Os relatos de abusos ginecológicos, que se estendem desde 2017, descrevem condutas inadequadas e atos libidinosos praticados pelo ginecologista Marcelo Arantes Silva, cuja defesa nega veementemente as acusações e confia na inocência do médico.
Uma das vozes que denunciam o comportamento do profissional descreveu o impacto devastador dos atos, que a deixou em estado de choque e imobilidade. Em um depoimento impactante à TV Anhanguera, a vítima expressou o profundo trauma: “A gente fica completamente imóvel, não tive coragem, acho que, por alguns minutos, eu morri ali na cadeira.”
As queixas das pacientes apontam um padrão de comportamento perturbador. Após um início cordial das consultas, o ginecologista acusado supostamente alterava sua conduta, realizando toques sem qualquer justificativa clínica e executando procedimentos que, segundo as denunciantes, não tinham relação com os motivos da consulta, caracterizando uma série de infrações éticas e legais.
A Investigação da Polícia Civil
A Polícia Civil de Goiás está à frente do caso, com a delegada Amanda Menuci encarregada da apuração dos fatos. Conforme as investigações, os primeiros indícios de má conduta por parte do médico Marcelo Arantes Silva datam de 2017, abrangendo um período extenso de supostos abusos contra pacientes em clínicas nas duas cidades goianas.
Em coletiva de imprensa, a delegada detalhou a metodologia do investigado para perpetrar os supostos crimes. Ele teria construído uma relação de confiança com as pacientes antes de escalar para comportamentos abusivos. “As primeiras consultas eram marcadas por toques físicos indesejados, perguntas inapropriadas e questões de cunho íntimo. Após essa fase inicial, começavam os atos libidinosos”, explicou Amanda Menuci.
A apuração policial revelou ainda que o médico supostamente realizava exames ginecológicos sem a utilização de luvas, considerados desnecessários, e dirigia perguntas de natureza sexual às pacientes durante os procedimentos, intensificando a situação de vulnerabilidade.
Desdobramentos Judiciais
A gravidade das acusações levou a Polícia Civil a solicitar a prisão preventiva do profissional, pedido que foi, entretanto, negado tanto pelo Ministério Público de Goiás quanto pelo Poder Judiciário. Apesar disso, foram estabelecidas medidas cautelares significativas contra o ginecologista. Elas incluem a proibição de contato com qualquer uma das vítimas, a restrição de saída da comarca onde reside e a comunicação obrigatória do caso ao conselho profissional responsável.
A Versão da Defesa
Em resposta às acusações, a defesa de Marcelo Arantes Silva emitiu um comunicado afirmando ter “plena confiança” na inocência do médico. Os advogados ressaltaram que o profissional tem cooperado integralmente com as autoridades e com a Justiça, fornecendo todas as informações necessárias para o esclarecimento dos fatos.
Adicionalmente, a equipe jurídica do ginecologista informou que ele se afastou voluntariamente de suas atividades profissionais enquanto o processo investigativo e judicial segue seu curso. A defesa reiterou a reputação do médico como “bem-conceituado, probo e ético”, expressando a expectativa de uma nova absolvição, mencionando que situação similar já teria ocorrido em um processo anterior.
Conselho de Medicina Atua
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também se manifestou sobre o caso. A entidade informou que o registro profissional do ginecologista Marcelo Arantes Silva foi suspenso, uma medida determinada por ordem judicial.
O conselho esclareceu, por meio de nota, que todas as denúncias que envolvem a conduta ética de seus membros são criteriosamente apuradas, tramitando sob sigilo, em conformidade com o que está previsto no Código de Processo Ético-Profissional da categoria.
