INCA lança estudo para rastreamento de câncer de pulmão no SUS

Inca lança estudo para programa de rastreamento de câncer de pulmão

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) deu o pontapé inicial nesta quarta-feira (1º) em uma pesquisa pioneira, com o objetivo de analisar a viabilidade de integrar um programa de rastreamento para o câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que visa estabelecer uma diretriz nacional para a detecção precoce da doença e, consequentemente, reduzir a mortalidade, é uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e conta com o financiamento da biofarmacêutica AstraZeneca.

O estudo será liderado pelo próprio INCA e está programado para durar dois anos. A expectativa é envolver no mínimo 397 pacientes, com possibilidade de expansão. A seleção dos participantes será um esforço conjunto com o Programa de Cessação de Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, que atualmente atende cerca de 50 mil pessoas. É crucial notar que aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão estão ligados ao consumo de derivados do tabaco.

A metodologia central do rastreamento proposto é a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), uma técnica que, conforme o Jornal Brasileiro de Pneumologia, pode diminuir a mortalidade por câncer de pulmão em 20%. Quando combinada à cessação do tabagismo, essa redução pode atingir 38%. Evidências internacionais apontam que o rastreamento com TCBD em populações de alto risco pode drasticamente reduzir diagnósticos em estágios avançados, passando de aproximadamente 90% para 30% dos casos. Atualmente, essa estratégia não faz parte das diretrizes nacionais de rastreamento no Brasil, reforçando a importância desta pesquisa para futuras recomendações em saúde pública.

Os critérios de elegibilidade para os participantes do estudo seguem as recomendações do Consenso Médico de importantes entidades como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Serão incluídas pessoas com idade entre 50 e 80 anos, que sejam fumantes ou ex-fumantes (tendo parado de fumar nos últimos 15 anos) e que tenham um histórico de consumo de 20 cigarros por dia, diariamente, por pelo menos 20 anos.

Caso um diagnóstico positivo para câncer de pulmão seja confirmado durante a pesquisa, os pacientes serão encaminhados e acompanhados pelo Hospital do Câncer I (HC I), uma das unidades do INCA no Rio de Janeiro, reconhecido como centro de referência no tratamento oncológico e integrante da rede de alta complexidade do SUS.

O médico epidemiologista do INCA, Arn Migowski, que lidera o estudo, expressou o objetivo central da iniciativa durante uma cerimônia no auditório do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio: “A gente vai tentar detectar cedo, antes de ter sintomas, um câncer de pulmão, e que a pessoa pare de fumar.” Ele complementou a visão estratégica: “Será um novo protocolo que tem ganhado corpo em evidências robustas que a gente quer implementar aqui e testar. Como funciona na realidade do SUS na vida real.? A gente consegue funcionar bem na nossa realidade, tem uma boa adesão, tem riscos. Vamos testar localmente para ir ampliando se for o caso em nível nacional.”

Para Danilo Lopes, diretor médico da AstraZeneca, a colaboração entre os setores público e privado é fundamental. “O fortalecimento do SUS passa pela aproximação entre setor público e privado. A AstraZeneca é uma companhia privada que atua em câncer de pulmão, mas quer fazer mais do que entregar medicamentos, mas também mudar a história da doença no país,” afirmou.

Gustavo Prado, presidente da Aliança Brasileira de Combate ao Câncer de Pulmão, destacou um desafio recente relacionado ao tabagismo: “Mais pessoas estão fumando hoje, especialmente os mais jovens de 18 a 24 anos. A gente precisa novamente intensificar as estratégias de prevenção e numa linguagem que atinja os jovens.” Prado mencionou o aumento e a mudança na prevalência do tabagismo devido à introdução de dispositivos eletrônicos como os vapes.

O câncer de pulmão permanece como a principal causa de morte por câncer no Brasil. Dados do Atlas de Mortalidade do INCA revelam que em 2024 houve 32.465 óbitos relacionados a câncer de brônquios e pulmão no país. Esse número é alarmante, superando a soma das mortes por câncer de próstata (17.826) e de mama (20.849) no mesmo período, apesar de serem os tipos de tumores mais incidentes na população brasileira. As projeções do INCA indicam que o Brasil enfrentará cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente no triênio 2026–2028, consolidando a doença como um dos maiores desafios de saúde pública. A alta taxa de mortalidade do câncer de pulmão está diretamente ligada ao diagnóstico tardio: cerca de 84% dos casos são identificados em estágios avançados, o que resulta em uma taxa de sobrevida em cinco anos de aproximadamente 5,2%.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/inca-lanca-estudo-para-programa-de-rastreamento-de-cancer-de-pulmao

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