Procissão do Fogaréu: 281 anos de fé e tradição reúnem milhares na Cidade de Goiás
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A cidade de Goiás vivenciou um momento de profunda espiritualidade e fé com a realização da Procissão do Fogaréu, que teve início à meia-noite da última quarta-feira (1º/4). A milenar encenação, um dos ápices da programação da Semana Santa, mobilizou milhares de pessoas, entre moradores, turistas e fiéis, pelas históricas ruas da antiga capital goiana.
O governador Daniel Vilela e a primeira-dama Iara Netto Vilela estiveram presentes, acompanhando de perto a festividade religiosa que neste ano celebra 281 anos de história. Para o chefe do Executivo estadual, a participação da comunidade na vida religiosa e cultural do estado é de suma importância. “Isso que acontece aqui, essa encenação da crucificação de Jesus Cristo, é um momento muito especial”, diz. “As pessoas precisam conhecer as nossas tradições, antepassados e origens. Esse resgate cultural passa pelo investimento na reforma dos prédios históricos”, destaca o governador. “Isso é formar as novas gerações com a convicção das suas origens, da sua cultura e também com os princípios religiosos”, finaliza.
A primeira-dama Iara Vilela também sublinhou o simbolismo da data e a relevância de valorizar os costumes e a cultura de Goiás. “A Procissão do Fogaréu é uma tradição muito importante para o estado e para a história do povo goiano”, afirma. “Estar na cidade de Goiás neste momento é valorizar uma celebração que passa de geração em geração e mantém viva a nossa cultura. Este é um momento de respeito à fé e de reconhecimento de um patrimônio que é de todos nós”, complementou.
Reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial de Goiás, a Procissão do Fogaréu é uma dramatização da perseguição e prisão de Jesus Cristo. A manifestação se estende da meia-noite de quarta-feira até a madrugada de Quinta-feira Santa, quando os farricocos, representando os soldados romanos com suas túnicas coloridas e chapéus pontudos, percorrem descalços as ruas de pedra, portando tochas.
O cortejo tem seu ponto de partida na Igreja da Boa Morte (onde hoje funciona o Museu de Arte Sacra da Boa Morte), ao som cadenciado dos tambores da fanfarra. Em seguida, a procissão avança pela Igreja do Rosário, que simboliza o local da Última Ceia, e segue até a Igreja de São Francisco de Paula, representando o Monte das Oliveiras. Esta tradição secular é cultivada em Goiás desde 1745, tendo sido introduzida pelo padre espanhol João Perestrello de Vasconcelos.
Em apoio à realização da Semana Santa, o Governo de Goiás, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), destinou neste ano R$ 200 mil. Este montante contribuiu para a infraestrutura, incluindo montagem de palco, iluminação, sonorização e organização geral das atividades. Desde 2022, o investimento total no evento já soma R$ 1,2 milhão. A secretária de Cultura, Yara Nunes, ressaltou a indispensabilidade do suporte estadual para a preservação de uma das mais importantes tradições do estado. “Sem o apoio do Estado estes costumes vão se perdendo, a população muitas vezes não consegue manter essas tradições sem esse suporte”. Yara enfatiza que os investimentos em cultura são “um trabalho crucial que o Estado faz para preservar essas tradições”.
Além de seu profundo significado religioso, a manifestação cultural também desempenha um papel crucial no impulsionamento do turismo na histórica Vila Boa, movimentando a economia local ao atrair visitantes de diversas partes do país. O prefeito de Goiás, Aderson Gouvea, refletiu sobre a visibilidade que a cidade alcança durante o evento. “A Procissão do Fogaréu transcende a cidade e o estado e se tornou um ícone nacional, com uma multidão vinda de todo o Brasil para acompanhar as festividades”, afirmou.
O padre Augusto, pároco da Igreja Catedral de Sant’Ana, destacou o sentimento particular que a Procissão do Fogaréu evoca nos farricocos. “Nós somos tomados por um sentimento que faz a gente recordar que o amor é capaz de se doar, de se sacrificar, de se entregar, mas o amor também vence a morte”, diz o religioso. O pároco também fez questão de reconhecer o apoio do Estado para a concretização do evento. “Sem a colaboração, sem a parceria do Estado, não teríamos condições. A ajuda na infraestrutura e nas pessoas que trabalham aqui é importantíssima. Isso faz a gente entender que o Fogaréu não se restringe apenas à cidade de Goiás, mas ao Estado de Goiás”, concluiu.
Fonte e Fotos: Agência Cora de Notícias
