Diretriz Abeso: Tratamento da Obesidade com Foco em Medicamentos e Estilo de Vida

Diretriz contraindica tratamento farmacológico isolado para obesidade

© Cristian Camilo/Divulgação

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou novas diretrizes que alteram significativamente a abordagem do tratamento farmacológico da obesidade. A principal recomendação é que a intervenção medicamentosa nunca seja isolada, mas sim integrada a profundas mudanças no estilo de vida, incluindo aconselhamento nutricional e a prática regular de atividade física.

O novo documento, que compila 32 recomendações para o manejo da obesidade, estabelece como critérios centrais para a indicação de medicamentos um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², ou um IMC de 27 kg/m² ou mais em indivíduos que já apresentam complicações associadas à adiposidade. A Abeso disponibiliza uma calculadora de IMC em seu site oficial. Em certos cenários, o tratamento pode ser considerado mesmo fora desses parâmetros de IMC, especialmente quando há um aumento na circunferência da cintura ou na relação cintura-altura acompanhado de outras complicações de saúde.

Para o presidente da Abeso, Fábio Trujilho, as novas orientações representam um avanço crucial na prática clínica. “O médico passou a lidar com um cenário terapêutico mais amplo e com decisões que exigem avaliação cada vez mais individualizada. Esta diretriz transforma esse avanço científico em orientação prática, oferecendo mais subsídio para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes,” afirmou Trujilho.

Fruto do trabalho de um grupo multidisciplinar composto por endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, a diretriz organiza suas orientações por classes de recomendação e níveis de evidência. Fernando Gerchman, um dos coordenadores da nova diretriz, ressaltou a abrangência do material. “O documento traz direcionamentos para cenários como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, deficiência de testosterona masculina, apneia do sono, perda de massa magra e muscular, o que aproxima a recomendação científica das perguntas reais do consultório,” explicou Gerchman.

Além de guiar sobre o que fazer, as diretrizes reforçam advertências importantes sobre o uso indevido de medicamentos. Há um alerta enfático contra a utilização de substâncias sem comprovação robusta de eficácia e segurança em ensaios clínicos, como fórmulas magistrais e produtos manipulados que contenham diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais ou gonadotrofina coriônica humana (hCG) para o tratamento da obesidade.

A íntegra das novas diretrizes está disponível para consulta no site da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/diretriz-contraindica-tratamento-farmacologico-isolado-para-obesidade

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