DF pede R$ 4 bilhões ao FGC para capitalizar BRB
© Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, solicitou um aporte financeiro de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O objetivo principal é fortalecer o capital do Banco de Brasília (BRB), conforme detalhado em carta formalizada ao fundo.
A medida visa assegurar a continuidade dos serviços financeiros do banco, apoiar políticas públicas e preservar sua liquidez. A operação, cujos detalhes ainda estão em ajuste entre as partes, projeta uma carência inicial de um ano e meio, com parcelas a serem quitadas semestralmente. A remuneração acordada prevê o CDI acrescido de spread, a ser formalmente definido pelo FGC.
Para garantir o empréstimo, o Governo do DF ofereceu como lastro participações acionárias em importantes empresas públicas, como a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), o próprio BRB e a Companhia Energética de Brasília (CEB), além de um conjunto de nove imóveis públicos. No entanto, a validade de alguns desses ativos para fins de garantia está sob questionamento. A área da Serrinha do Paranoá, por exemplo, teve seu uso para garantia judicialmente suspenso, embora a decisão ainda seja passível de recurso. Outro bem citado, o Centrad, um complexo administrativo inativo há mais de dez anos, também figura em meio a uma disputa judicial.
O GDF caracteriza a operação como “estruturante”, salientando a necessidade de readequação a indicadores regulatórios bancários, a exemplo do Índice de Basileia, fundamental para aferir a solidez de instituições financeiras. A expectativa é que o aporte impulsione a expansão da carteira de crédito, fomente investimentos em infraestrutura e habitação, apoie micro e pequenas empresas, e, consequentemente, estimule a economia local e a arrecadação de impostos.
A busca por esse reforço financeiro surge em um contexto de desafios fiscais para o Distrito Federal. O governo encerrou 2025 com um déficit de aproximadamente R$ 1 bilhão e sem a possibilidade de obter garantias do Tesouro Nacional para outras operações de crédito, recorrendo, assim, ao FGC. O próprio BRB enfrenta pressões significativas decorrentes de perdas ligadas a ativos de difícil recuperação e da urgência em aumentar suas provisões, estimadas em cifras bilionárias.
O processo de negociação com o FGC encontra-se em estágio preliminar, aguardando a análise do fundo quanto à sua viabilidade, riscos envolvidos e conformidade com as normas regulatórias. O Palácio do Buriti, sede do governo distrital, está elaborando uma série de documentos, incluindo planos de negócios e de capital, diagnóstico financeiro, e uma proposta detalhada de garantias e cronograma de implementação. A efetiva liberação dos recursos dependerá da avaliação da capacidade de pagamento do BRB e da solidez dos ativos apresentados como garantia.
A situação do BRB é agravada por investigações que apontam a aquisição de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados irregulares do Banco Master, embora a instituição alegue ter recuperado parte desses valores. A necessidade atual de provisões do BRB está na casa dos R$ 8,8 bilhões, porém, uma auditoria forense independente projeta um impacto ainda maior, de até R$ 13,3 bilhões, atrelado a operações que indicam falta de lastro.
A pressão sobre o BRB é intensificada pela dificuldade em divulgar seus resultados de 2025 no prazo, até o final deste mês, sem a concessão de prorrogação pelo Banco Central. Caso os balanços, que não são publicados desde o segundo trimestre do ano passado, não sejam apresentados, o BRB poderá enfrentar severas punições do BC. “Entre as sanções possíveis, estão a intervenção pelo Banco Central, a federalização (absorção por um banco federal) ou, em caso extremo de falta de caixa, a liquidação extrajudicial.”
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/ibaneis-pede-r-4-bilhoes-ao-fgc-para-socorrer-banco-de-brasilia
