Cientistas brasileiros se destacam na busca por soluções para o Alzheimer e são premiados internacionalmente

Cientistas brasileiros são premiados por pesquisas sobre Alzheimer

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um cenário global de busca por soluções para o Alzheimer, dois cientistas brasileiros ganharam reconhecimento internacional por suas contribuições significativas. Mychael Lourenço, da UFRJ, e Wagner Brum, da UFRGS, foram homenageados por organizações de prestígio devido ao avanço de suas pesquisas sobre a doença.

Lourenço recebeu o “ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research” da organização Alba, um prêmio concedido a cientistas de carreira intermediária com conquistas notáveis. Brum, por sua vez, foi nomeado o “Next ‘One to Watch'” pela Alzheimer’s Association, um reconhecimento para jovens cientistas promissores.

A doença de Alzheimer, um dos maiores desafios da medicina, afeta milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo cerca de 2 milhões no Brasil, número que pode ser subestimado devido a dificuldades de acesso à saúde e diagnóstico. O sintoma mais conhecido é a perda de memória recente, mas a doença pode levar a dificuldades de raciocínio, comunicação e movimentação, tornando o paciente totalmente dependente.

As pesquisas de Lourenço buscam entender o que torna o cérebro vulnerável ao Alzheimer, investigando a resiliência em pessoas que não desenvolvem a doença, mesmo com a presença de placas cerebrais. O Lourenço Lab também está testando substâncias que podem evitar o acúmulo de proteínas beta-amiloide e tau, envolvidas na formação dessas placas.

O pesquisador coordena ainda um estudo para identificar marcadores biológicos no sangue de brasileiros com Alzheimer, buscando um diagnóstico precoce. “A doença de Alzheimer não aparece quando os sintomas aparecem: ela começa a se desenvolver muito tempo antes. Então, a gente está tentando pegar essa janela, em que a doença está se desenvolvendo, mas os sintomas ainda não apareceram tão claramente”, explica Lourenço.

Wagner Brum se destacou pelo desenvolvimento de protocolos para implementar clinicamente um exame de sangue que diagnostica o Alzheimer a partir da proteína p-tau217. Embora o teste seja preciso, Brum criou padrões de leitura para sua adoção na rotina diagnóstica. “Em pacientes com medição muito alta ou muito baixa, claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou não a doença. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermediária, e esses precisam de um exame adicional”, afirma Brum.

O objetivo do Zimmer Lab, onde Brum realiza seu doutorado, é facilitar o diagnóstico em larga escala, buscando a implementação do exame no SUS. “Para ele ser implementado no SUS, que é o nosso grande objetivo, são necessários estudos mostrando que a introdução desses exames pode melhorar tanto a confiança diagnóstica quanto mudar o tratamento do paciente. O que se tem visto em outros países é que esses exames fazem isso”, destaca Brum.

Atualmente, o diagnóstico é feito principalmente a partir dos sintomas e exames de imagem, como tomografia e ressonância, que nem sempre são específicos. Os dois testes precisos existentes, exame de líquor e PET-CT, são caros e pouco acessíveis. Brum acredita que o exame de sangue pode facilitar o diagnóstico e aumentar a confiança dos médicos, detectando a doença antes dos sintomas.

Ambos os pesquisadores ressaltam a importância do reconhecimento internacional e a excelência da pesquisa brasileira em diversas áreas. As pesquisas de Lourenço e Brum são financiadas por instituições como a Faperj, Fundação Serrapilheira e Instituto Idor de Pesquisas.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/cientistas-brasileiros-sao-premiados-por-pesquisas-sobre-alzheimer

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