Estupro coletivo no Pedro II reacende debate sobre educação sexual e violência de gênero nas escolas
© Fernando Frazão/Agência Brasil
O recente caso de estupro coletivo de uma aluna do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre a urgência da educação sexual e de gênero nas escolas. Estudantes protestaram em frente à reitoria, clamando por medidas que protejam a vida das mulheres e combatam a violência de gênero.
Além do estupro coletivo, a Polícia Civil investiga outros dois casos de alunas do mesmo colégio que teriam sido atacadas por integrantes do mesmo grupo, incluindo um adolescente apontado como mentor dos crimes.
Durante o protesto, a estudante Ana Belarmino destacou a importância do conhecimento sobre violência de gênero para que as vítimas identifiquem o abuso. Ela defendeu a retomada urgente das aulas sobre o tema, que, segundo ela, foram silenciadas por pressões de setores da sociedade, como o movimento “escola sem partido”. Ana Belarmino afirmou: “Precisamos ter alunas e alunos conhecendo os seus corpos e os tipos de violência sexual”. A estudante lembrou que, em 2019, a escola foi invadida por parlamentares em busca de material didático com conotação política.
Gabriel Pinho Leite Monteiro, presidente do grêmio do campus Humaitá, também enfatizou a necessidade de medidas de combate ao assédio moral e sexual, argumentando que isso “não tem nada a ver com doutrinação política”.
Os estudantes também cobraram a implementação de uma política contra o assédio, aprovada em 2025, mas que ainda não havia sido colocada em prática. Somente nesta segunda-feira, a reitoria criou uma comissão para lidar com casos de assédio, discriminação e racismo.
A professora Priscila Bastos, que acompanha a pauta desde 2018, relatou que a escola não está preparada para lidar com o assédio e que a reitoria tem criado entraves burocráticos para evitar o problema.
Pais e responsáveis, representados pelo Coletivo Resistência, apoiam a criação de uma política ampla de combate e prevenção ao assédio, mas ressaltam a necessidade de apoio da sociedade em geral. A representante do coletivo, Maíra Arêas, denunciou que “o que acontece no Pedro II não é um caso isolado” e defendeu políticas públicas que obriguem a discussão de temas como gênero, raça e sexualidade nas escolas.
A reitoria do Pedro II, em nota, afirmou que o enfrentamento e prevenção de violências sempre foram temas tratados com seriedade e que, desde janeiro de 2026, tem realizado ações de acolhimento, prevenção e apuração de condutas inadequadas. A instituição garantiu que “não há silêncio institucional” sobre o tema.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/alunos-do-pedro-ii-pedem-aulas-para-enfrentar-violencia-de-genero
