Oceano em Crise: Aquecimento, Pesca Ameaçada e a Urgência do Tratado do Alto-Mar
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Especialistas reunidos no Rio de Janeiro alertam para a necessidade urgente de proteger os oceanos, especialmente as áreas internacionais, que representam dois terços da sua extensão. O alerta foi feito durante o 3º Simpósio BBNJ, que reúne cientistas, políticos e representantes de diversas organizações para discutir a implementação do Tratado do Alto-Mar, em vigor desde janeiro.
O tratado, já ratificado por 86 países, incluindo o Brasil, visa regulamentar a proteção da biodiversidade marinha, promover a troca de tecnologias, criar órgãos de governança e facilitar o acesso a recursos genéticos. O texto do tratado reconhece a urgência de combater a perda de diversidade biológica e a degradação dos ecossistemas oceânicos, abordando problemas como aquecimento, perda de oxigênio, poluição e acidificação, além de direcionar a proteção de áreas vulneráveis.
Segundo Segen Farid Estefen, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), “As Nações Unidas têm instituições, como o IPCC [sigla, em inglês, para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], que reúnem especialistas sobre o clima. Mas os relatórios ainda abordam o oceano de forma muito tímida. O Tratado do Alto-Mar coloca o oceano no centro das discussões”.
Regina Rodrigues, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou os impactos sociais do aquecimento global, mencionando que “A elevação do nível do mar ameaça mais de um bilhão de pessoas que vivem em zonas costeiras de baixa altitude. Três bilhões de pessoas dependem de frutos do mar como principal fonte de proteína. Assim, a queda na reprodução de peixes ameaça a segurança alimentar”. A professora também alertou para os riscos de deslocamento populacional e de conflitos em regiões dependentes do oceano, defendendo uma maior integração entre o Tratado do Alto-Mar e a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Para ela, “E os riscos de conflitos provocados pelo clima são altos em regiões dependentes do oceano, especialmente no Pacífico, na Baía de Bengala e na África Ocidental”.
Juliano Palacios Abrantes, pesquisador do Instituto para os Oceanos e Pescas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, abordou os impactos do aquecimento global na pesca, destacando a complexidade do gerenciamento de estoques de peixes em águas internacionais, que envolvem múltiplas jurisdições e diversos países. Abrantes adverte que “Em um estudo recente, descobrimos que muitos estoques de peixes tropicais estão se movendo das zonas econômicas exclusivas em direção ao alto-mar. Isso pode gerar conflitos internacionais, como já vimos na Europa com o caso da cavala”, alertando ainda para o potencial aumento das desigualdades, já que apenas países ricos têm capacidade para pescar em alto-mar.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-03/efeitos-da-emergencia-climatica-no-oceano-preocupam-pesquisadores
