Anvisa aprova novo medicamento para tratamento de hemofilia no Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Um novo medicamento para o tratamento de hemofilia foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil. O QFITLIA® (fitusirana sódica), da empresa Sanofi Medley, é indicado para pacientes a partir de 12 anos, com hemofilia A ou B, com ou sem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX, e tem como objetivo prevenir ou reduzir episódios de sangramento.
A aprovação do medicamento foi prioritária devido à raridade da hemofilia, uma condição genética que afeta a capacidade de coagulação do sangue, manifestando-se principalmente em homens devido à sua ligação com o cromossomo X. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil possui 14.202 pacientes diagnosticados com hemofilia, sendo 11.863 com hemofilia A e 2.339 com hemofilia B.
A hemofilia é caracterizada pela deficiência de proteínas essenciais, os fatores de coagulação, sendo o tipo A (falta do fator VIII) o mais comum e o tipo B (falta do fator IX) menos frequente. A falta de produção adequada de trombina impede a formação de coágulos eficazes, resultando em hemorragias persistentes. A gravidade da doença varia conforme o nível de atividade desses fatores no sangue.
A Anvisa explica que “o maior desafio clínico reside nas articulações e músculos, locais onde as hemorragias são mais frequentes, embora qualquer órgão possa ser comprometido. O diagnóstico precoce e o monitoramento constante são fundamentais para evitar danos crônicos e garantir a qualidade de vida dos pacientes”.
A presidente da Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), Tania Maria Onzi Pietrobelli, destacou que a fitusirana sódica, que tem aplicação subcutânea e de longa duração, representando um avanço significativo em relação aos protocolos atuais que exigem infusões de três a quatro vezes por semana, e que com o novo medicamento, a frequência é de uma dose a cada dois meses.
“Como a hemofilia é uma condição crônica, isso limita a qualidade de vida dos pacientes e familiares. Com essa nova tecnologia as pessoas poderão viver sem focar na doença, tendo o direito de viver plenamente”, ressaltou a presidente da FBH.
Tânia Maria também afirma que a aprovação do medicamento no Brasil resulta em maior autonomia para pacientes e familiares, melhora no fluxo de pacientes no sistema de saúde, aprimorando a logística e diminuindo a sobrecarga nos centros de tratamento de hemofilia, “permitindo assim um tratamento e atendimento personalizado”.
Mariana Battazza, presidente da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia, complementa que o uso da fitusirana sódica permite que os pacientes tenham melhor adesão ao tratamento, assegurando um melhor resultado.
“Atualmente, o que percebemos em nossa pesquisa Jornada dos pacientes com hemofilia A e B no Brasil é que o desfecho dos tratamentos com fator de coagulação são piores do que o imaginado porque as barreiras de adesão ao tratamento são muito grandes”, destaca.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/anvisa-aprova-tratamento-para-evitar-sangramentos-em-hemofilicos
